Monday, January 30, 2012

Te amo porque te amo, oras


"Se eu te amo é que tu és amável. Sou eu que amo, mas tu, tu também estás envolvido, porque há em ti alguma coisa que me faz te amar. É recíproco porque existe um vai-e-vem: o amor que tenho por ti é efeito do retorno da causa do amor que tu és para mim. Portanto, tu não estás aí à toa. Meu amor por ti não é só assunto meu, mas teu também. Meu amor diz alguma coisa de ti que talvez tu mesmo não conheças". (Jacques-Alain Miller).

Saturday, January 28, 2012

Frescor e ineditismo

"Se você não consegue sentir um simples beijo com
frescor e ineditismo, então ele não tem valor algum."
(Fabrício Carpinejar).

José e Pilar


Não tenho a pretensão de fazer nenhuma análise inteligente, consistente ou convincente deste belíssimo documentário, apenas não posso deixar de registrar a multidão de sentimentos que me invadiram enquanto eu o assistia. Como poucos, este filme me tocou profundamente e esta comoção se deve ao fato de que as reflexões contidas nesta obra provém não de um personagem fictício, maquiado pela fantasia da imaginação, mas de um ser humano como nós, feito de carne e osso. No caso, realista, demasiadamente realista, e consciente daquilo que a maioria ignora.

O filme é bem claro ao mostrar que, mesmo debilitado, Saramago não negava autógrafos e nem protestava diante da rotina a qual era subjugado. Pilar, sua esposa, mais parecia ter nervos de aço. Minha impressão é que ela atuava como uma força impulsionadora na vida de Saramago, ao ponto dele admirar-se e tecer comentários acerca da confiança em que ela depositara no futuro. Ele, já mais consciente do fim e quase despedindo-se da vida, parecia ter outra postura. A verdade é que ele não tinha mais tempo a perder e, apesar da serenidade de monge advinda com maturidade dos anos, Saramargo não poupava respostas argutas, sóbrias e cheias de assertividade para com as antas que lhe insistiam em roubar-lhe a paz de seus preciosos minutos com perguntas requentadas ou capciosas. Longe de tirar-lhe a simpatia, esse traço de caráter lhe conferia ainda mais autenticidade, revelando também um verdadeiro mestre na arte da “esgrima” com palavras.

Mesmo arrefecendo diante da vida, Saramago enfrentava com resignação todo aquele mar de compromissos. E enquanto as águas dos dias corriam e se avolumavam sem dó nem piedade, Saramago parecia afundar-se cada dia mais em sua contida, mas lúcida desesperança entre “estar e já não estar”. Ao procurar decifrar a beleza da dor que lhe inquietava a alma, Saramago procurava não cair na tentação de romantizar os fatos, bem como o iminente fim: uma espécie de afogamento rumo ao mar do esquecimento. Em sua luta para não poetizar a morte e nem a vida, ele invejava as árvores. Sob sua ótica, as árvores tinham uma aura de perenidade com raízes que lhe conferiam algum tipo esperança e vitória sobre a fugacidade da vida.

Pois bem, o que mais haveria de querer àquele quem já tinha conquistado tudo o que muitos mortais nem ousaram sonhar? O que mais haveria de pedir àquele que já tinha razoavelmente tudo o que a vida pôde oferecer? Quando questionado exatamente acerca disso, Saramargo atira seu mais belo dardo e, sem titubear, diz mais ou menos assim: “TEMPO. Tempo para continuar a vida, continuar a escrever, continuar a respirar...”. Embora sucintas, essas palavras me soaram pesadas e, com certeza, fruto de quem muito se debateu diante de sua impotência. Ele simplesmente daria tudo por aquilo que eu e você temos de sobra!

Saramago me fez respirar aliviada ao me dar conta de que quem estava na pele dele era ele e não eu, que havia me fundido à ele durante o filme. Saramago me fez pensar no quanto é maravilhoso poder respirar por respirar, ver quem você ama respirar e pronunciar com a certeza de quem vive, o nome do seu amor!!!

É realmente importante termos sempre a consciência de que com o tempo não se brinca. Ai, de quem desperdiçar a vida sem amar exclusivamente e se deixar ser exclusivamente amado! Ai, de quem desperdiçar a vida com prazeres baratos, sem nunca alcançar o poder libertador de um coração reto e puro diante de Deus! Ai, daqueles que esperarão a velhice ou alguma circunstância drástica da vida lhes ensinarem o valor de tudo o que os cerca.

“É por isso que vivemos dias tão efêmeros;
matamos o tempo, e o tempo nos enterra,
apanha e devora tudo o que amamos.

É a vida que, aos poucos se gasta;
e que, gasta de tanto se acostumar,
se perde de si mesma...”
(Monique).

Friday, January 27, 2012

MUST read

Júlio Severo, ativista pró-família que defende como ninguém os valores cristãos e denuncia os bastidores da barbárie que assola o nosso tempo. O blog dele, na minha opinião, é leitura mais que obrigatória: http://juliosevero.blogspot.com

Tuesday, January 17, 2012

É por você que fecho os olhos...

Monday, January 16, 2012

Amor de irmã


Quando deixei o Brasil, minha irmã ainda batia no meu ombro e eu a via como minha “bebezinha”. Qual não foi a minha surpresa quando vi aquela boneca correndo ao meu encontro no aeroporto quase 1 ano depois? Parecia uma miragem. Eu custei a acreditar no que os meus olhos estavam vendo: Era ela em carne e osso, aqui, do outro lado do mundo! E como estava bela... aliás, como ela conseguiu ficar mais bela do que já era??? E eu achava que isso era impossível... mas ela conseguiu! Além disso, ela estava do meu tamanho e até ligeiramente maior, mesmo eu sendo 10 anos mais velha. Meu Deus, como os dias passam e as coisas mudam, menos o semblante angelical, ele sim, continuava intacto.

Esses dias foram simplesmente perfeitos. Não se trata de eu ser uma “irmã coruja”, é algo que transcende até mesmo a minha compreensão. Eu já nem lembrava mais que tinha tanto amor pra dar e até agora não sei como minha irmã conseguiu reativar esse vulcão em mim. Fiquei surpresa comigo mesma, era como se, de repente, minha consciência tivesse sido ampliada de forma que eu conseguisse captar e apreender toda a dimensão e profundidade desse sentimento. Ao lado dela eu me sentia demasiadamente viva... e ela parecia sentir o mesmo, o que me deixava irreconhecivelmente feliz. O tempo todo nós duas estávamos em perfeita sintonia a ponto de uma antecipar as palavras, ações e risadas da outra.

Também não posso negar que ela me pegou desprevenida muitas vezes pois quando eu menos esperava, ela me abraçava afetuosamente e vinha com frases do tipo: “Momô, eu te amo tanto, preciso tanto do seu carinho, olha pra mim.” Mas a verdade é que ela nem precisava ir muito longe pros meus olhos ficarem marejados... E era só eu começar, que nós duas desembestávamos a chorar e ali ficávamos atracadas entre afagos e soluços.

O que mais me espanta na minha irmã é a facilidade com a qual ela sabe expressar seu amor e vulnerabilidade. Sem rodeios, ela deixava bem claro que era dependente do meu carinho, da minha atenção, do meu abraço, do meu toque, do meu calor. E apesar de nem sempre usar palavras, o tempo todo ela me despia e me desarmava de tal forma que eu só tinha uma única opção: me render. E que coisa boa foi me render aos seus encantos, minha irmã, pois enquanto desfrutávamos da companhia uma da outra, você era toda olhos e ouvidos para mim.

Não só o seu corpo estava ali, mas também a sua alma. O seu mundo se resumia a nós duas e suas expectativas pareciam girar apenas em torno da nossa realidade, o que fazia com que eu tivesse uma vontade louca de fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para te ver sorrir. Queria te dar minhas melhores roupas, pintar suas unhas, pentear o seu cabelo, te dar banho, te maquiar, fazer sua comida, te ninar até você pegar no sono, comprar todos os materiais escolares da Sirotan, ser sua fotógrafa particular, personal stylist, babá, conselheira, etc. Eu sei que de repente eu poderia até estar te fazendo mal: te mimando ou deixando mal acostumada, mas a única coisa que eu queria era encontrar maneiras de expressar meu amor. Só consegui freiar toda essa ânsia quando você disse: “Mô, chega de me dar presentes, não tem mais espaço na minha mala e você está ficando sem suas coisinhas, depois você vai se arrepender...” rs.

Quando perguntei à minha mãe: “Que amor é esse?” Ela logo rebateu: “Você ainda não viu nada, você não sabe o que é amor de mãe.” Eu logo pensei: “Se não faço idéia do amor de mãe, quanto mais do amor de Deus”. Daí emendei: “Será que vou conseguir amar um filho assim, na mesma proporção em que amo a Juju?” Então minha mãe soltou uma gargalhada daquelas que só os veteranos na vida conseguem soltar...



Te amo muito minha branquelinha >.<"

Ser doce é sempre mais gostoso!


Be sweet!

God called us to be flowers in the middle of the guns.

Thursday, January 12, 2012

Bom proveito

"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

(José Saramargo).

Tuesday, January 10, 2012

Janela


"Quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante
de cada janela, uns dizem que essas
coisas não existem, outros que só
existem diante das minhas janelas
e outros finalmente, que é preciso
aprender a olhar, para poder vê-las
assim." (Cecília Meireles).

"Tudo o que mais quero é preservar
meu coração sensível para notar a
felicidade que me rodeia." (Ricardo
Gondim).

Todo cristão deveria ser lúcido assim

Estou consciente de que no meio Cristão há mais raposas do que ovelhas, ou melhor: ovelhas vestidas em peles de lobos. Não cabe a mim julgá-los, apenas evitá-los. Não é por que estou entre eles que concordo com tudo. Na hora certa o verdadeiro juiz há de separar o joio do trigo. Nesse vídeo eis um Cristão protestante lúcido que eu admiro muito:



“Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (Mateus 13:30).

Prefiro uma vida OFF line

Monday, January 09, 2012

Saudade

今 私は すごく 寂しくて懐かしいです。
Ima watashi wa sugoku natsukashikute sabishi desu!!!

Ainda atordoada com o silêncio que me assalta a paz e respirando essa saudade pungente que paira no ar, olho ao meu redor e vejo os cômodos vazios. A mesa da sala que outrora estava cheia de vozes, comidas e risadas, agora está vazia... os futons, que antes estavam repletos de cobertores, travesseiros, ursinhos, carinhos, afagos e beijinhos de boa noite, agora estão vazios. Essas cenas indeléveis lancinam minha mente com sua doçura, machucam meu coração com sua candura e ferem impiedosamente minha alma com sua delicadeza. Ah... como eu amei e me entreguei nesses dias tão intensos. Amei e vivi sem medo, sem receio e sem reservas. Eu simplesmente não me importava com a profundidade, cor e perfume dessas memórias. Eu não fazia idéia de que elas tinham o poder de se tornarem tão vívidas, nítidas e palpáveis! Mas agora, essas memórias parecem ser tudo o que tenho no momento e eu não consigo as largar por nada. Ora estão no pijama que minha irmã usou, ora na caneca que meu pai segurou (como se fosse mais uma entre milhões), ora no cheiro do travesseiro que a minha mãe dormiu... E no desespero dessa saudade, eu me pego repetida e demoradamente cheirando o pijama, acariciando a caneca e abraçando o travesseiro. Ao sair de casa e percorrer cada caminho que fizemos juntos, não consigo conter a convulsão de lágrimas. Sinto um abismo no peito, um rastro vermelho de dor, um caminho de solidão. Procuro os olhos verdes e brilhantes da minha irmã que sempre estavam fixos em mim, mas eles já não estão mais lá! Fico esperando alguém me puxar pelo braço para comigo cantar, girar e saltitar pela rua, mas ninguém puxa meu braço. Então engulo a seco essa dor, tento me reacostumar com o silêncio, enxugar as lágrimas e seguir em frente. Não com o desprezo de quem finge, mas com o sorriso e a certeza de quem sabe que momentos melhores virão!

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." (Clarice Lispector).