O Caminho
"And how can I stand here with you,
And not be moved by you..."
Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça.
Quanta ingenuidade pensar que dessa vez seria diferente. E depois de tudo descobrir que se está sozinho (no sentido mais concreto da palavra), que não existe amigo e que seu pior inimigo é você mesmo. Que a sua dor é somente sua e que por mais que você tente explicar, ninguém poderá senti-la no seu lugar. Em meu réquiem oculto, eu descasco a vida como se ela fosse uma fruta, procuro respostas com a faca afiada da razão, corto os meus dedos com as minhas perguntas, deixo a fruta perfurada de ódio e deformada de tristeza. O que sobra depois que as mãos se soltam e as bocas se distanciam? O que resta depois que a dança que se finda e os corpos se recolhem? Choro de raiva quando vejo não sobra nada. Mas depois percebo que o tempo todo estava enganada. Que no fim quem sobra era aquele que a todo tempo estava ali, mas eu não conseguia ver, nem ouvir. Agora ele emerge soberano, levanta delicadamente o meu queixo enquanto me olha com a cabeça inclinada, sem dizer absolutamente nada. Por que somente agora eu compreendo o seu significado? Consigo sorrir quando me lembro que eu sempre te ouvia antes de um trovão ou entre o farfalhar das páginas de um livro. Era você! Só podia ser você que estava em cima da árvore comigo, naquela época em que eu comecei a rabiscar os meus primeiros poemas!.. Como eu pude te ignorar por tanto tempo? E por que você não desistiu de mim?