Sunday, July 23, 2006

Vaidade Afetada

A internet é o mundo aberto à sua frente, um lugar comum de convergência. Ao longo do tempo percebemos que ela é muito mais do que uma pancadaria cibernética onde as informações correm à velocidade da luz. Não só uma fonte do saber, mas um lugar virtualmente habitável, que se constitui de espaços. Deixamos de ser sujeitos passivos e passamos a interagir com ela e a possuir seus espaços como um meio de livre disseminação!

Estes espaços livres devem ser utilizados de maneira ponderada, medindo seu valor utilitário e as conseqüências de sua utilização. A internet funciona como um catalisador, dando ampla visibilidade a quem se utiliza dela. Além de diversão e passatempo, a internet também é utilizada como um meio de divulgação e instrumento de trabalho. Uma verdadeira janela aberta para o mundo onde você pode mostrar seu talento, buscar “feedback”, aprimorar técnicas e alcançar oportunidades através de um amplo “network” na área de seu interesse.

Muitos buscam a fama através dela, mas essa almejada fama é apenas resultado e conseqüência de um trabalho bem feito. Quem é bom sem internet, é bom de fato, pois não teria problemas em se dar bem e desenvolver-se sem ela. Mas o que vemos são pessoas pretensiosas usando a internet como um meio fácil e rápido para alcançar a fama. E nessa busca narcísica vale tudo. Na era da imagem, as pessoas se preocupam mais em fotografar momentos do que em vivê-los. Tendo como aliados avançados softwares gráficos de tratamento de imagens, tudo parece perfeito, um mundo de aparências impecável! O culto ao corpo emerge como um ritual vazio, desprovido de significação, que tem como cerne a estética, a sensualidade.

As pessoas parecem esquecer que a internet é um lugar público! E saem por aí de calcinha, de cueca, tampando estrategicamente algo que fingem guardar, fazendo caras e bocas de maneira despreocupada e inconseqüente. Agir dessa maneira é contribuir para um mundo cada vez mais banalizado, sexista e erotizado, pois as pessoas permitem-se ser avaliadas e acessíveis como objetos. Falta orientação e referencial, o que era liberdade de expressão deu lugar à libertinagem.

Devemos usar a internet como diversão sim, mas de maneira sadia através de manifestações inteligentes que acrescentem, que sejam relevantes. Você busca quantidade ou qualidade?
Viva mais, fotografe menos!

Se bem utilizada, a internet oferece uma gama de possibilidades para seu crescimento. Não queira ser merecedor de louros, sem antes sofrer o processo. Não busque a fama, descubra o talento que lateja dentro de você, dedique-se e seja bom nisso. O que precede é conseqüência.

Tuesday, July 18, 2006

Infância

Insipidamente sinto o sabor dos resquícios...
Néctar do vento que sopra úmido
Num lento colapso
Delineando o relento intocável das lembranças...

Utopia

Queria você assim por toda a vida.
Diante dos meus olhos soturnos.
Como um retrato tão frágil e lépido
De natureza tão divina e lasciva
Faz-me sonhar...

Nubla meus olhos
Deixa-me assim...
de mãos vazias e feridas.
Em meu réquiem oculto
Até mesmo o espaço morre de silêncio!..
E a mão estirada
já não alcança de tão pálida...

São meus os olhos que contemplam
São meus os traços que contornam
São minhas as palavras herméticas.

De uma simples ilusão que morre com o sono
e se renova ao despertar...

Friday, July 07, 2006

Espelho

Quem é você que desvenda o meu ser?

Conhece o meu olhar, o meu sorrir...
Minhas mágoas e dores, Você vê...

És sempre tão mudo, tão calado.
Não me critica, apenas me olha.

E lá fora o mundo não é como você.
Eles devem me ver de outra forma...

E eu não sei como sou.
Em quem acredito, ou como me vejo...

Em quem está a mentira?

Sou um reflexo.

Wednesday, July 05, 2006

Just Be Yourself

Assumir-se é uma questão de autenticidade, pois requer uma firme postura diante da sociedade. Mas não dá para se auto-afirmar se a pessoa não tem uma auto-estima estabilizada. Todos somos seres humanos repletos de imperfeições e inseguranças, e quando vemos alguém superficialmente belo que transmite segurança, logo nos projetamos naquela pessoa, pois ela condensa nossas aspirações.

Projetar-se em arquétipos de beleza é na verdade uma fórmula, uma maneira muito simples, aparentemente indolor, mas incapaz de encobrir inseguranças e fraquezas. Haverá um momento em que você será obrigado a confrontar-se com a realidade e então se frustrará por não alcançar aquele ideal de beleza.

Ser realista é o primeiro passo para aceitar-se. Depois é necessário reconhecer os seus defeitos e valorizar as suas qualidades. Você deve se sentir bem como é, satisfeito com o que tem e se mesmo assim você se sente mal, com a auto-estima baixa, lembre-se que não existe gente feia e sim mal arrumada. Arrume-se, sinta-se bem, descubra e valorize o que você mais gosta em você, pequenos detalhes farão toda a diferença.

Imagine se todas as flores resolvessem virar rosas?! Infelizmente é isso o que está acontecendo. Com um olhar superficial algumas flores inevitavelmente se destacam, mas elas não deveriam se tornar padrão de nada pois com um olhar mais intimista você descobre que cada uma possui suas idiossincrasias, seu valor, sua peculiaridade. Assim somos nós. Não existe o conceito de ser mais bonito ou menos bonito, o que existe são belezas diferentes.

Invista em você, não espere que alguém lhe traga a resposta, não coloque nos outros algo que só você pode se dar. Desenvolva talentos, habilidades, exercite seu pensamento, seu corpo, suas aptidões, desenvolva-se! Assim você poderá alcançar a tão sonhada autoconfiança, verá que é capaz de superar-se, romper paradigmas e então se surpreenderá com os resultados. Seja uma pessoa interessante, de conteúdo, seja uma pessoa cativante que transborda energia, disposição, amor e ternura. Traga nos teus olhos o brilho da alma, traga nos lábios o sorriso do coração. Renove suas forças, renove sua mente. Valorize-se!

Limpe as janelas dos seus olhos para uma visão mais cristalina da vida. Veja como a diversidade do mundo é bela e faz com que ele seja assim, tão interessante! Amplie seus horizontes. Se seus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Liberte-se, seja feliz... Brilhe!

Saturday, July 01, 2006

Volúpia do Aborrecimento

Nem tudo volta, nem tudo vem...
Correm loucos ávidos pelo vislumbre.
Esta procela da mente que é infinita
e distante, ou mesmo intocável!
Surtos de alegria e dias de tristeza.
Ou sim ou não... equílibrio jamais...

Tanto desgaste... Átomos! Quem saberá?!
Quem saberá aquele ponto exato...
Qual?

Realmente, ninguém nunca saberá. Tenho certeza;
Sabe aquela saudade daquele nada que nunca vimos?
Ela mesma, eu sei que você tem e não adianta mentir.
Você sente; a dor provável que vem sem ter vindo.

O provável mais improvável,
da improbabilidade imprópria.
Redundante! E mera...

Seja ela a essência,
que não deixa de ser aparência.
Talvez o corpo incompatível com a mente...
Um domina o outro, e sendo opostos se atraem.
Um terreno, o outro divino. A luta, a guerra, o ponto.
Que ponto?

É por isso que vivemos esses dias tão efêmeros;
matamos o tempo,
e o tempo nos enterra...

A vida que, aos poucos se gasta;
e que, gasta de tanto se acostumar,
se perde de si mesma...

Ser ou Parecer

Quando nos encontramos em um ambiente desconhecido, nos sentimos desconfortáveis. Não sabemos o que esperar dele ou onde encontrar o que desejamos, é estranho não fazer parte do contexto. Observamos detalhes, fazemos associações de acordo com nossos repertórios e referências inferindo certas conclusões, logo formamos uma espécie de esquema simplificado, que nos poupará futuramente de novas análises. Mapear o que nos circunda é talvez uma das práticas mais remotas do homem, nossos ancestrais não desfrutavam das benesses tecnológicas e a cada novo espaço enfrentado, era necessário mapear rapidamente as zonas de perigo das zonas de conforto, separar as zonas áridas das úmidas, zonas hostis das habitáveis, para assim estabelecer seu espaço, estudando as diversas possibilidades de lidar com ele.

As idéias se tornam automáticas a cada mapeamento, são tantas coisas para se pensar e fazer que inevitavelmente acabamos optando por atalhos. A fórmula substitui a forma e então fazemos muitas coisas sem pensar, a princípio é prático, mas a longo prazo provoca uma dormência do ser, uma certa anestesia dos sentidos, gerando por sua vez hábitos, rotinas e paradigmas.

É tão cômoda esta zona de conforto e estabilidade, onde já se sabe como tudo funciona e onde tudo fica. E a cada novo ambiente é isso o que você procura; sua zona de conforto. Tudo o que lhe parece familiar será mais tangível e fácil de lidar e então você acaba fazendo uma coleção de tudo o que te apatece. O que não convém é automaticamente excluído e superficialmente nomeado. Você se coloca no centro de suas escolhas, apontando o que convém do que não convém, o que é bom do que é mal. Você passa a ver o mundo conforme sua imagem e semelhança, o autocentrismo é incorporado e a alteridade é repelida.

O mesmo ocorre em nossas relações inter-pessoais. Estamos tão acostumados a selecionar! Selecionamos o que ouvimos, o que lemos, o que falamos, selecionamos produtos, selecionamos nosso consumo, tudo para atender sempre nossos interesses da melhor maneira possível. E fazemos o mesmo com as pessoas! Não só como um atalho para agilizar o mapeamento, rotular as pessoas é muitas vezes um meio para justificar nosso desinteresse pelo outro, camuflar nosso medo, reforçar nossa aversão; invalidando o outro como indivíduo. Rotular as pessoas é um mecanismo de auto-defesa, um escapismo que nos refugia da realidade.

A grande questão é que todos procuramos uma identidade, todos temos a necessidade de auto-afirmação. Encontramos na pós-modernidade, um mundo fragmentado onde há diversidade, onde as possibilidades são muitas e tudo gira em torno do consumo. Você não precisa ser algo e sim parecer algo. É fácil, basta imprimir ou comprar sua identidade, hoje em dia ela vêm de fora para dentro, a multi-faceticidade tomou conta do mundo moderno e você pode ser o que quiser e agir como quiser. Você se veste com o estilo que quiser, usa o vocabulário que quiser, lê os livros que quiser, a liberdade é total e sem referenciais dentro de si, os jovens seguem modismos, seguem os amigos e a mídia, tudo para serem aceitos e reconhecidos, para se sentirem parte de um corpo que o aceita como membro, já que o principal não é ser, mas parecer! Assim formam-se os estereótipos que de maneira caricatural carregam consigo características simplificadas.

Reconhecer que todos buscamos a auto-afirmação de nossas identidades é fundamental; Recorrer à atalhos para aderir uma personalidade ou para rotular pessoas é um meio extremamente superficial. Todos somos instáveis e mutáveis, é necessário estar aberto ao novo e encará-lo de maneira receptiva sem aglutinar idéias pré-concebidas. A identidade nasce de dentro para fora e não de fora para dentro, como vemos hoje em dia. Ser inteligente e se esforçar para ser bonitinho ou ser bonitinho e se esforçar para ser inteligente é questão de escolha. Já estilo é conseqüência do que somos por dentro.