Monday, May 30, 2011

Coisas “NORMAIS” no Japão


A primeira coisa que sentimos ao colocar os pés, ou melhor, os olhos em outro país é o contraste com a nossa terra natal. No começo é normal ocuparmos boa parte do nosso tempo livre fazendo infinitas comparações até que, sem perceber, nos adaptamos à cultura do país em questão e já não olhamos mais aquilo que nos chamava a atenção com “estranheza”. Eu mesma já incorporei vários hábitos e costumes do Japão, alguns dos quais eu já praticava no Brasil mesmo sem saber ou ter a consciência de que não estava sozinha.

Bom, como minhas vistas ainda não estão totalmente acostumadas ou “calejadas”(como diz minha mãe) com as coisas diferentes que vejo no Japão, vou aproveitar o momento para registrar a titulo de curiosidade para alguns e de “arquivo” para mim, algumas das coisas que mais esbugalharam meus olhinhos nos meus primeiros dias aqui. Já vou logo avisando: tenho muuuitas coisas para contar!

Carros cor de rosa
Acredite se quiser, carros cor de rosa são SUPER normais no Japão, coisa corriqueira mesmo de se ver. E olha, tem pra todos os gostos: Os modelos são diversos e as matizes, infinitas, variando desde de um Pink bem chamativo (socorro!) até um rosa “gelato”. O único que ganhou o meu coração foi o
“Micra” da Nissan na cor “London rose”. Bããããe, eu quero!!!

Óculos sem lente
Em todo cantinho do Japão, até mesmo os inabitados (se é que existe), você vai encontrar muitas mocinhas usando óculos de aro grosso e bem escuro (até aí tudo bem), mas só que
SEM lente. Isso mesmo que você leu. Uma grande porcentagem das “teenagers” aqui no Japão usa óculos sem lente, não me perguntem o porquê pois eu mesma já desisti de tentar entender, mas por algum motivo ininteligível e sobrenatural, esse tal “óculos sem lente” é sensação entre a galerinha estilosinha do Japão. Cá, entre nós, não é porque eu estou amando o país que vou achar tudo lindo, né?

Fenômeno Yaeba
Por mais incrível que pareça, ter dentes encavalados aqui no Japão é algo bonito e “kawaii”, ou seja, fofinho, cute, legal, da hora, tchutchuco. Tô falando sério! Eles têm até um nome pra esse tipo de beleza “tão peculiar” chamado
YAEBA, que ao pé da letra significa “dentes duplos ou tortos”. E para alegria de quem é adepto ou apenas simpatizante ao movimento, as propagandas e revistas do Japão sempre estão repletas de menininhas com esse sorrisinho diferenciado. Até a realeza - Princesa Masako - se rendeu à essa moda!

Feijão na veia
Atire a primeira pedra quem nunca abriu a geladeira ávido por um sorvete e, quando foi abrir, descobriu que aquele pote promissor de 2 litros na verdade tinha
FEIJÃO. Pois é, o mesmo acontece aqui no Japão: você pensa que aquilo que você está vendo é um sorvete, mas quando vai ver é sorvete mesmo (heueheu), só que de FEIJÃO!!! Sim, os sorvetes de feijão “bombam” no Japão e para atender a demanda, uma farta gama de todos os tipos está sempre ao seu alcance (até mesmo quando você nem suspeita). Eu, sinceramente, não sei quem falou pros japoneses que feijão é pra se comer como DOCE, mas é a única forma eles costumam comê-lo por aqui. Apesar da minha sutil aversão por doces de feijão (tipo de coisa que eu só comeria depois do Armagedon), reconheço que os amantes de feijão iriam se realizar aqui pois o tal creme de feijão é o recheio de 99% dos doces. Ele está em tudo, tudo mesmo, até no “sonho” que eu vomitei tentei comer hoje. Só tenho uma palavra para descrever esse sentimento: Decepção! É, meus queridos, tem coisas que só fazem sucesso no Japão mesmo. Sorvete de feijão, óculos sem lentes e sutiã pra homem são algumas delas.

Fotofobia
O extremo calor dos últimos tempos não fez com que a maioria das mulheres diminuísse o tamanho dos seus trajes como ocorre no Brasil, muito pelo contrário. No verão e até mesmo nos dias mais quentes e ensolarados as japonesas usam ainda mais roupas para se protegerem do sol. Todas elas possuem pelo menos um “Kit básico” de sobrevivência para os dias ensolarados composto por toalhinhas de enxugar o suor (um tipo de lenço umedecido), sombrinhas, óculos escuro,
luvas acima dos cotovelos e capacetes do Darth Vader viseiras. Claro que tudo isso regado ao molho de um potente protetor solar (a maioria dos protetores que vejo aqui é FPS50). Pensando bem, este não é um mau costume, visto que o Japão tem uma das menores incidências de câncer de pele do mundo.

Na terra do sol nascente o sol nasce severo, inclemente, ardido, feroz e cansativo e, independente de achar bonito ou não, eu também me rendi, ou melhor, “tive que” me render a essa “moda xiita”. Não porque eu quis né gente (duh), mas por necessidade mesmo! Do jeito que ando de bicicleta aqui, acabei ficando com os braços neguinhos e o rosto branco (pensa que coisa linda).

P.s: Apesar de amar o céu azul dos dias ensolarados, minha relação com a luz do sol nunca foi das melhores. Tenho uma hipersensibilidade irritante à luz, devido ao meu astigmatismo, que me presenteia com constantes e agudas dores de cabeça. Exemplo disso, é que eu tenho que escurecer ao máximo todos os monitores que uso, sejam eles de PC, notebook, Tv ou celular. O outro motivo é que eu não gosto nenhum pouco de me ver bronzeada pois sempre fico encardida ou cinza, nunca laranjinha, rs! Então aderir à esse movimento foi algo quase absolutamente “natural” e indolor. E, sim, eu ainda me sinto (acho que sempre vou me sentir) uma alienígena toda vez que saio na rua com o tal “kit fotofóbico”.

Bihaku

Como acabo de relatar, aqui no Japão as mulheres fogem do sol como o diabo foge da cruz. Essa
obsessão pela pele branca é tão forte na cultura nipônica que ganhou uma palavrinha só pra ela: “Bihaku” (Bi- kanji = beleza e Haku – Kanji = Branco). Que ao pé da letra seria algo como “branco bonito”ou “beleza branca”. Apesar do nome ser contemporâneo, esse culto ao branco tem fundamento histórico pois no Japão feudal ter pele branca e lisa era símbolo de status (continua sendo). Isso porque a pele morena era considerada cor de pessoas com status inferior, que trabalhavam no sol (trabalhadores rurais). Os habitantes do sul do Japão eram (são) os mais atingidos pelo preconceito, pois é a região menos desenvolvida e mais atingida pelo sol. A cor branca era desejada pelos nobres japoneses, que só saíam de casa com as tradicionais sombrinhas de papel.

Nos dias de hoje, essa questão ganhou ainda mais força por ter a tecnologia como aliada. Não foi à toa que o Japão se tornou referência no que diz respeito à técnicas e produtos para clareamento da pele (moda esta, que está começando a chegar nas mãos das grandes massas no ocidente). Tendo toda essa tecnologia e ciência à disposição, as japonesas além de fugirem do sol e se protegerem dele, passaram também a se entupir de pílulas para branquear a pele. A mais famosa das pílulas é a “Kyusoku Bihaku” ,vendida como um complexo alimentar que, além de fazer coisas maravilhosas para o seu organismo, por acaso também promete, entre outras coisas, inibir a produção de melanina, deixando a pele mais branca com o uso contínuo do produto. Fico pensando o quanto o Michael Jackson ficaria orgulhoso de ver tudo isso!

P.s: Quem quiser se dar ao luxo de ver alguma parte dos corpos nipônicos, deve vir ao Japão no inverno ou na Primavera, pois são nos dias mais frios ou insuportavelmente frios que essas mulheres costumam exibir sua beleza e ofuscar com sua alvura. É costume usar menos roupas no inverno do que no verão, por isso é comum ver adolescentes japonesas de minissaia caminhando pela neve. Brrrrrr!


Calcinhas no varal
Qualquer ser humano do sexo feminino que resolver deixar uma calcinha ou calçola pendurada no varal, terá a mesma raptada em um piscar de olhos, é sério. Aqui no Japão é melhor deixar a calcinha no “box” mesmo, ou melhor, no chuveirinho do furô. Ainda não escolhi deixar nenhuma minha à mostra pra fazer o teste pois gosto de todas, mas conheço mais de 59084378 garotas que tiveram suas calcinhas capturadas. Fico imaginando o que esses
“cheiradores de calcinha”não fazem com as mesmas. Devem dormir com elas penduradas na cabeça ou usando nas laterais na orelha. MEDO!

Cachos nipônicos
Se você pensa que ao vir pro Japão se deparará com mulheres de cabelos lisos e negríssimos, está enganado! Enquanto as brasileiras estão alisando seus cabelos com ácido sulfúrico e pagando horrores por isso, as japonesas estão fazendo Baby Liss a 300◦C, acompanhadas por um arsenal de sprays fixadores super potentes, pomadas, mousses e até apliques com
cachos nanotecnológicos. Além disso é MUITO RARO de se ver uma japonesa com cabelos na cor original. A maioria das mulheres no Japão, principalmente as dos grandes centros urbanos, tinge o cabelo de “castanho claro”. As matizes variam desde um acaju até um loiro bem escuro, mas a cor predominante mesmo (o queridinho) é o “castanho claro”. Enfim, quanto mais “vibrante” (eu não disse “freak”, ok?) for a cor do seu cabelo, mais personalidade você tem. De qualquer forma é totalmente “OFF” não tingir o cabelo aqui, demonstra total falta de personalidade e descaso com a aparência.

Olhinhos puxados? Que nada!
O negócio aqui no Japão é ter olhão de mangá. E para consquistar esse efeito, a meninada faz uso das famosíssimas e baladadíssimas
“CIRCLE LENS”, que nada mais são do que “lentes de contato” que aumentam a íris dos olhos. E, nessa peregrinação pelos “OLHOS DOS SONHOS”, muitas meninas passam até um tipo especial de cola nas pálpebras para ficarem com os olhos das ocidentais - prática conhecida como “Eye Talk”. Sem contar que quase TODAS as mulheres, moças e meninas do Japão fazem uso MAÇICO dos CÍLIOS POSTIÇOS (me divirto tentando achar uma – até mesmo em transportes públicos - sem os famigerados cílios). O mais interessante é constatar que eles realmente foram incorporados no dia a dia delas. É comum ver a mulherada “SUPER MONTADA” nos lugares mais “nada a ver”. Acho que nem no dia do meu casamento eu me maquiei tanto quanto elas no cotidiano. É de fazer inveja pra qualquer travesti!

Chá verde
No começo eu achava essa
“bebida sagrada” dos japoneses um tanto quanto intragável. Aquele cheirinho de pasto com notas de capim e, ainda por cima SEM açúcar, arrepiava até os cabelinhos do meu dedão do pé. Mas agora, de tanto sabotar minhas papilas gustativas, já consigo engolir o “o-chá” sem fazer careta. Tudo isso por um bom motivo: além de fazer bem pra saúde, emagrece! Hauahauahaua

É isso gente, vou ficando por aqui!
Beijos com sabor de capim o-chá e docinho de feijão.

Tuesday, May 17, 2011

Delírios de consumo no Japão

Este é um assunto totalmente à parte pois trata-se de um país de primeiro mundo que já vive no topo do topo, da Pirâmide de Maslow. Isso significa que aqui no Japão ninguém precisa se preocupar com o básico ou somente com o necessário pois isso todo mundo já tem. Até as pessoas menos abastadas conseguem viver com dignidade. Mas e aí? O que sobra então quando as pessoas não precisam lutar para sobreviver e recorrer à escapismos para deixar seus dias mais suportáveis? Bom, quando esse tipo de coisa acontece as pessoas costumam se voltar para as aspirações da alma e, uma das coisas que faz parte da natureza e da alma humana, é buscar beleza em tudo. E acreditem, tudo aqui no Japão é super bonito e fofinho! Até as comidas...

Necessidade de beleza
Se alguém diz que a aparência não é importante, essa pessoa está enganada. Nossos olhos gostam sim de se deixar invadir e banhar pela beleza. Quem nunca se deixou embriagar pela beleza de um pôr-do-sol, de um mar cristalino ou de uma bela construção? Que casa bem arrumada, decorada e perfumada não tem o poder de regenerar o humor ou amenizar os nervos da executiva mais estressada? Ou quem nunca dormiu sonhando com a roupa perfeita para o tão esperado encontro ou festa? Pois é, exemplos nunca faltam! A necessidade de beleza é legítima e intrínseca à natureza humana.
Deus nos fez assim, à sua imagem e semelhança. Basta olhar pra natureza e comprovar quão caprichosas e meticulosas são as mãos do Criador. Poetas, fotógrafos, arquitetos e todo o tipo de gente que mexe de forma direta ou indireta com arte, sempre andaram e ainda andam inebriados, vendo beleza em tudo, até nas coisas mais banais. E vai dizer se eles não conseguem deixar o nosso mundo mais bonito?!

As vitrines nipônicas
Eu mesma já perdi as contas de quantas vezes tropecei, bati a cabeça ou ouvi o marido berrar meu nome no meio da multidão - enquanto eu pasmava delirando em frente a alguma vitrine - Aaaah... como todas são lindas: sejam elas de roupas, pães, docinhos ou bugigangas. Até as mais pobrinhas dão um show em qualquer vitrine da Oscar Freire ou Oxford street. Penso com meus humildes botões se até mesmo o venerado Buda não daria pelo menos um suspiro reticente pelos encantos consumistas daqui.

Confesso que, apesar de profunda admiradora dos pensamentos estóicos do Sêneca (meu filósofo preferido), fico entre a cruz e a espada toda vez que vejo uma vitrine nipônica, principalmente quando trata-se de uma loja de roupa... dá vontade de tacar fogo no seu guarda-roupa todinho e comprar tudo de novo. Tô falando sério! E olha, que é bem difícil alguma coisa me "pegar de jeito" assim, mas as vitrines daqui no Japão mexem com meus instintos mais primitivos. No começo eu não entendia bem o motivo, mas agora eu já descobri. Quer saber qual é? Então leia o tópico abaixo =P

Jeitinho Kawaii
As vitrines do Japão têm um apelo totalmente diferente das vitrines do Brasil. É este o motivo do meu encanto!!! Aqui no Japão o esforço que as mulheres dedicam para se tornarem femininas, delicadas, “girlies”, meigas e “cutes” é proporcinal ao que as mulheres do Brasil fazem para serem gostosonas, sedutoras e poderosas (blergh). Aqui, a expressão máxima de beleza é ter um jeitinho de menina com ares de sobriedade e candura. Prova disso, é que a maior parte das meninas aqui usa e abusa de saias (a maioria micro-saia, não gosto!), vestidos, rendas, laços e babados (claro que existem bizarrices e excessos, mas não quero falar deles agora, com certeza renderão um texto exclusivo, rs). Não preciso nem falar que é bem difícil de se ver uma mulher usando calça ou tênis aqui.

Gyaru Style
Pode até não parecer, mas cada tipo de look que se vê nas ruas do Japão sempre fazem parte de uma “tribo”ou estilo específico, nenhum deles é aleatório. Como falei, moda é assunto sério no Japão! Fiquei perplexa de saber que o meu gosto de roupa já possuía uma categoria/rótulo aqui. Tal espanto se deve ao fato de que sempre foi complicado encontrar roupas que me agradassem no Brasil, isso por que o estilo que me agrada “não vende” no Brasil mas faz o MAIOR sucesso no Japão (nunca imaginei isso, muita coincidência). O nome do estilo japonês que ao qual me refiro é o “Roma Gyaru” (“Roma”de “romantic”), também me agrada muito o "Retrô Gyaru". Ambos são sub-estilos do "Gyaru-kei". Enfim, existe uma infinidade de subdivisões do Gyaru Style, para saber um pouco mais os estilos vistos nas ruas do Japão, clique aqui.

Tuesday, May 10, 2011

Highlights from Japan


Minha casa
Finalmente eu e meu marido estamos terminando de nos estabelecer aqui no Japão. Isso significa que nossa casa está tomando forma e finalmente ficando com cara de lar. No momento temos boa parte dos nossos móveis e eletrodomésticos instalados e funcionando, o que nos permitiu engrenar num dia a dia bastante confortável. Não preciso nem dizer o quanto estou curtindo meu novo lar (com direito a chão de tatami, privada cibernética, banheira furô e futon de casal...rs). Pra quem não sabe, Deus nos preparou uma bela casa em estilo 100% japonês com 2 quartos, 1 sala, 1 cozinha e 1 banheiro, além de uma varanda espaçosa e um pequeno jardim. Por fora a casa é simples, mas por dentro ela é bem ampla. E o melhor de tudo foi que o valor coube no bolso!


Custo de vida
Diferente dos nossos amigos que moram em Tóquio, não estamos tendo dificuldades com espaço, valor do imóvel ou da alimentação. Muito pelo contrário! Ainda mais agora com as nossas novas bikes, eu e meu marido estamos explorando cada cantinho de Yokohama e descobrindo que, indo nos lugares certos, dá pra ter um custo de vida igual ou até inferior ao do Brasil. Um dos segredos é pegar dicas de lugares com chineses pois eles sempre sabem onde encontrar o melhor custo benefício (semana passada, por exemplo, descobrimos um lugar onde o preço da picanha estava R$22,00). Outro segredinho é procurar pelas HYAKUEN Stores que são lojinhas tipo as de R$1,99 do Brasil. Só que não dá pra comparar as hyakuens do Nihon com as de R$1,99 do Brasil. A diferença das lojinhas daqui é que os produtos são de EXCELENTE qualidade, sério, nem dá pra acreditar que aquelas coisas tão lindas, práticas, úteis (nem sempre) e fofas podem ser tão baratas. Bom agora chega de contar segredinhos.


Qualidade de vida
Morar no Japão e, especialmente em Yokohama, tem sido uma experiência fantástica. A qualidade de vida da qual estamos desfrutando aqui é algo que eu nunca imaginei que fôssemos viver. A sensação de segurança é muito presente em todo lugar e eu não sabia o quanto essa sensação é gostosa. Uma coisa é ir pro interior de São Paulo e sentir isso por 3 dias, outra coisa é viver isso. Diversas vezes eu e meu marido deixamos nossos pertences ou compras nas cestas de nossas bicicletas e, horas depois, quando voltamos, tudo estava no mesmo lugar, intacto. Fico maravilhada com o senso de coletividade dos japoneses e com o respeito que dedicam, espontaneamente e gentilmente, uns aos outros. Aqui no metrô (ou em qualquer tipo de transporte público), ninguém entra no vagão enquanto o último a descer naquela estação não sai. E quando entram, entram em fila, que nem na escolinha!!! Hihihi... adorei =D

Nota: Bicicleta é um veículo de transporte maciçamente usado por todos os japoneses e também se tornou o nosso principal meio de locomoção.


Lixo
Lixo é uma coisa que não existe nas ruas do Japão, tudo aqui é muito limpo e, não é por nada não, mas esse pessoal é meio neurótico (eufemismo) por limpeza. Dá gosto de observar e andar pelas ruas daqui. Parecem até de mentira de tão limpas e lisinhas (sem buracos) que são. Agora se você resolver comer uma guloseima e quiser, afoito, procurar por um mísero lixinho, esqueça, você não vai encontrar. Não adianta chorar, espernear, bater o pé e nem fazer biquinho. O melhor mesmo é enfiar infeliz na bolsa ou nos bolsos e jogar no lixo de casa. Agora em casa, afffff.... esse assunto vira um samba do crioulo doido pois aqui você tem que separar o lixo pelo menos em três categorias: incinerável(orgânico), plásticos e papel. Existem umas 1317283728372 subdivisões de tipos de armazenamento do seu querido lixo, mas não vou entrar em detalhes pois eu costumo usar principalmente essas 3 categorias, as demais seriam pra coisas específicas como pilhas, tecidos, etc. Além dessa chatice toda (eu sei que é por uma nobre causa), você tem que lavar todas as embalagens de plástico ou isopor que for jogar fora (pensa na minha cara de felicidade lavando essas bodegas -.-) e, não obstante, ficar atento ao dia certo que em que aquele tipo X de lixo será recolhido. Segunda e sexta, por exemplo, é dia de despachar o lixo orgânico =p.

O jeitinho japonês
Eu SEMPRE ouvi dizer no Brasil que os japoneses eram frios e secos. Talvez eles o sejam com suas ilustríssimas esposas, mas eita povinho bom de se conviver! O que eu mais amei é que eles não são pentelhos e intrometidos, nem ficam cuidando da vida alheia, suspirando pela grama verde do vizinho ou fazendo interrogatórios sobre sua vida pessoal... enfim, é inerente ao japonês ser DISCRETO e saber respeitar o espaço do outro, jamais agindo de forma invasiva. Tudo bem que eles não têm aquela “aura” de simpatia e efusividade do brasileiro, mas sabem, como ninguém, ser um povo muito, mas muito EDUCADO. E olha, faz toooda a diferença isso no cotidiano.

Fazendo amizade com japoneses
Uma característica engraçada dos japoneses é que eles não se esforçam para serem ou parecerem simpáticos com você, não ficam sorrindo que nem um cachorrinho feliz que abana o rabinho freneticamente quando vê seu dono ou puxando assunto só pra agradar, gerar uma boa impressão. Isso também não significa que eles são ariscos, antipáticos ou sisudos, longe disso. Na verdade eles são bem tímidos e nesse sentido eu me identifiquei demais da conta com eles.


Outra coisa que eu achei diferente é que se não tem assunto, não tem conversa, simples. E o silêncio é algo que não os incomoda. Curiosamente, tudo flui de forma natural, sem aquela forçassão do sangue latino. Isso, ao contrário do que possa parecer, não gera um clima pesado ou de tensão. Por exemplo, quando você sai com um japonês pra passear e bater um papo, você nunca vai saber se ele está amando a conversa ou achando um saco. Eles são emocionalmente indecifráveis e nem vale a pena medir o nível de intimidade por este termômetro.


A melhor resposta para saber se a amizade tem futuro é o tempo e com o tempo é que eles costumam demonstrar esse sentimento através de omiyagues (presentinhos), pagando um passeio/jantar ou convidando-o para recebê-lo em sua casa. Aliás, se um japonês te chamar pra um jantar ou pra ir na casa dele é porque você está super bem no conceito dele, sério, tá com a moral!


Embora seja difícil no começo pela incerteza da reciprocidade, a sensação é que os japoneses são muito autênticos em suas amizades e que a relação levada em “banho Maria”, aos poucos se torna consistente, sólida e extremamente respeitosa. Mas para essa flor desabrochar é preciso muita delicadeza e paciência.


Dewa, shitsurei shimasu. Yoroshiku oneigai shimasu!!!