Saturday, August 19, 2006

Discrição

Sou à favor de mulheres discretas.
Que não precisam se expor para seduzir.
Há tantos meios de ser atraente! Porque escolher o mais fácil?

Acho tão engraçado as mulheres de hoje em dia...
Elas se beneficiam de exposições, atalhos e de caminhos mais
rápidos, tudo para serem notadas. São discretas como avestruzes
e pensam que ninguém consegue ler suas reais intenções.

Elas até conseguem o que querem. Mas tudo o que vem fácil,
vai fácil. Vivem apegadas ao efêmero e reclamam quando se
sentem usadas.

Não há virtude em querer usar meios explícitos para seduzir.
Vivemos na “Era do Açougue”. Pedaços de carne à sua disposição!
Sinta-se à vontade senhor: escolha o mais belo decote, o mais
suculento par de pernas e a boca mais carnuda.

E se fazem isso para você e por você, o fazem também para tantos
outros. Para elas, você nunca vai ser o único, mas “um dos”.
Tantos outros já a experimentaram e não há mais segredos nessas
mulheres de hoje em dia. Todos os seus atalhos são conhecidos na
sua mais íntima profundidade.

O que encanta os homens, acredite, é a pureza.
Mas eles estão enojados de verem tantas delas se promovendo
em cima de “virgindade”. A mulher pura de fato é facilmente
detectada por sua mais cândida discrição. E tal mulher nem percebe
que o é, pois lhe é algo natural, inerente e faz parte dela.

A mulher que não se apega ao plano estético e procura vestir-se
de maneira sóbria é detentora da mais sublime sensualidade.
Apenas olhos atentos poderão perceber a multiplicidade de sua
beleza que nasce de dentro, pois a de fora é mera conseqüência.

Sunday, August 06, 2006

Sem nenhum arranhão

O desconhecido provoca em nós uma inexplicável atração.
Quando olhamos muito para um abismo, o abismo parece
olhar para dentro de nós. E isso desperta instigantes sensações...
Somos vertiginosamente sugados por esta força insaciável e
misteriosa.

Força escura que embriaga, profundidade esta, que entorpece
todos os sentidos... Uma espécie de hipnose que nos inunda e
paralisa, onde o corpo fica dormente e vulnerável. Você deseja
o abismo, mas não tem coragem de pular, por isso paga por
falsos abismos.

Dentro de você uma voz grita e quer se libertar do cárcere que
é o corpo. Como dar vazão a estas pulsões inexoráveis, constantes
e latentes no ser humano? Como ordenar o caos?

A realidade nua e crua parece ser intragável, então você acaba
por anestesiar seus sentidos recorrendo à escapismos,
entregando- se à falsas emoções ou pagando para ser iludido.

Viver o limiar da vida, beirar a morte e desejando dar vazão às
mais profundas pulsões, sentir na pele a mais indecifrável das
sensações sem ser responsável pelo estrago que isso poderia
causar se fosse verdade. Ligar a Tv, alugar um filme ou ir ao
cinema e lá sim, poder ser e fazer o que quiser, deleitar-se e
jogar-se em todos os abismos e voltar sem nenhum arranhão,
sem sofrer as conseqüências dos excessos.

Totalmente livre para trafegar pelas zonas proibidas do
inconsciente, emprestando sua alma a um corpo fictício e vivendo
uma realidade virtual.

Você se engana, paga para ser enganado, mistura sonho e
realidade. Sai vazio, do mesmo jeito que entrou...
Acreditando na sua mente, que tantas vezes... Mente.