Wednesday, February 28, 2007

As Pêras

As pêras, no prato,
apodrecem
O relógio sobre elas
mede a sua morte?
Paremos a pêndula. Deteríamos,
assim a morte das frutas?

Oh, as pêras cansaram-se
de suas formas e de sua doçura! As pêras
concluídas, gastam-se no fulgor de estarem
prontas para nada.

O relógio
não mede. Trabalha
no vazio: sua voz desliza
fora dos corpos.
Tudo é o cansaço
de si.

As pêras se
consomem no seu doirado
sossego. As flores, no canteiro
diário, ardem em vermelhos e azuis.
Tudo desliza e está só.

O dia comum, dia de todos,
é a distância entre as coisas.

Mas, o dia do gato, o felino
e sem palavras dia do gato que
passa entre os móveis
é passar. Não entre os móveis.
Passar como eu passo:
entre nada…

Autor: Ferreira Gullar.
*AMO este poema!!!

Sunday, February 18, 2007

Culhão

Homem tem que ter culhão. Não aquela macheza de lutador de vale-tudo pit-boy, nada disso. Isso aí de força física qualquer mané tem.

Eu estou falando de culhão, bolas.

Culhão de gostar de mulher e não fugir dizendo que prefere uma
mulherzinha. De assumir um compromisso e não ficar se refugiando nos braços de umas putinhas de nariz e bunda empinada só para se sentir macho. Culhão de botar filho no mundo e cuidar, e agüentar a mulher histérica na gravidez, e agüentar ver o parto sem desmaiar. E ainda ter o amor de antes.

Culhão de admitir quando está errado.
De bater o pé quando está certo.

De encarar a vida e não se acomodar e deixar o sangue esfriar. De chorar quando sentir vontade, porque chorar é coisa pra macho. De se emocionar com algo mais que futebol. Culhão de ir embora quando as coisas são irreparáveis em vez de sentar a bunda no sofá e esperar uma intervenção divina. De tentar consertar tudo quando vale a pena.

Culhão de viver as coisas mesmo sabendo que pode se dar mal no fim. MESMO TENDO CERTEZA QUE VAI SE DAR MAL NO FIM. A vida não tem anestesia e anda de mãos dadas com a dor.

De não rir de piadas sem graça pra agradar. De assumir o que gosta e o que não gosta mesmo que vire motivo de chacota. De ser absolutamente devotado a algo, música ou uma mulher, sem ter pudores ou se importar com o resto do mundo.

Culhão de ir atrás dos sonhos, por mais bestas e utópicos que pareçam. E conseguir realizá-los e calar a boca de todo mundo.

De se vestir como bem entender. De pedir colinho quando precisar em vez de ficar se fazendo de fortão.

*De resistir às tentações da carne, porque a carne é fraca, mas a cabeça não pode ser.*

De se jogar quando o abismo chama.

Culhão de trocar o certo pelo duvidoso sem pestanejar quando tem que ser feito, porque tem que ser feito.

De não fingir.

De falar em vez de ficar se esquivando. De não sumir e encarar as coisas quando devem ser encaradas.

Acho que é isso. Culhão. Você tem culhão? Espero que você tenha. Ou que seu homem tenha. Ou aprenda a ter. Se bem que isso não se aprende, é inerente. Ou você tem, ou você não tem. Espero que você tenha.

Autora: Clarah Averbuck

Friday, February 16, 2007

Incógnitas Manjadas

O que será que se passa na cabeça dos homens? O que eles conversam tanto? Será que nunca tomaremos conhecimento do que realmente eles pensam (sobre nós, mulheres)?

Uma mulher que se prende a tais questionamentos provavelmente entraria em uma espécie de neurose pois para nós as coisas costumam ser muito mais abstratas, sutis... e cada detalhe é muito importante pois pode mudar tudo!

Homens são simples e práticos, eles sabem separar as áreas de suas vidas, elas parecem não se misturar aos nossos olhos. Para eles não existe muito essa coisa de “meio termo” ou relatividade, questionamentos e neuroses. Eles enxergam a vida sem complicá-la demais, sem dilemas.

Sabemos que ambos os sexos se completam pois nós mulheres necessitamos de mais objetividade e precisão. Mas vejo que a falta de tato, envolvimento e compreensão acaba “coisificando” o cortejo. No entanto, muitas mulheres fazem por merecer, afinal elas também preferem gastar suas energias de um jeito mais fácil.

Vejo as garotas tentando se adequar às exigências masculinas. Os homens costumam, mesmo que inconscientemente, exigir das mulheres uma perfeição estética que não existe. Os olhos masculinos estão habituados à toneladas de maquiagem, horas de chapinha (e o escambau), trocentas sessões de “não sei o quê” numa clínica estética e mais todo o tratamento final feito com os mais arrojados softwares gráficos ( éh... muitas vezes eles nem imaginam a complexidade deste processo). Daí saem por aí querendo “pegar” garotas como “àquelas” da Revista, da Tv, do Cinema e da Internet. Procuram beldades que ofereçam prazer, de preferência gratuito, sem muita burocracia.

Já nos relacionamentos o orgulho é a marca registrada. Homens costumam sentir prazer em ver as mulheres aos seus pés, se rastejando e massageando seu ego. Eles fazem joguinhos, mostram que não precisam delas e as tratam com o kit completo de “Frieza+Desprezo”. Tudo isso para mostrar auto-suficiência. Mas quando sentem falta de um carinho, logo as procuram como se nada tivesse acontecido. Invalidam a dor, objetalizam o amor.

Por estes motivos e muitos outros, as mulheres não deveriam depositar expectativas, nem se adequar às exigências deste tipo de homem. Eles estão presos ao orgulho e são escravos de seus próprios desejos.

Um dia quando acordarem para a vida desejarão alguém que possa envelhecer com eles e viver uma história plena. Desejarão alguém firme e constante que os ame na dor e na doença. Mas aí pode ser tarde demais pois nunca souberam valorizar uma mulher de verdade.

* P.s:Tudo o que descrevi aqui corresponde ao que vejo e presencio, não são casos isolados. São maioria, infelizmente.

Monday, February 12, 2007

Pensando em você

Doce lembrança que tenho, é o teu sorrir...
Um sorriso reluzente, imaculado!
Um olhar absorto... como a ressaca do mar.
Soturno e de lágrimas furtivas é o teu olhar.
Tua voz é tão macia, numerosa e eloqüente.
Teu sorriso devagar surge... enigmaticamente; deixando
parado – olhar luminoso – sondando minhas intenções.
Minha variedade intensa de sentimentos... E vagamente
fora de natureza terrestre, me envolve.
Me envolve com o ardor do sol em ti.
Não tenho mais para onde fugir...

*Poema dedicado ao meu amado.

Saturday, February 03, 2007

Carnaval Chegando

Engraçado, por qual motivo será que tanta gente faz aniversário
justo no final do ano? É incrível notar quantos bebês resolvem
nascer nessa época. Talvez o motivo principal seja por que eles
queiram aproveitar o verão! Seriam esse bebês super dotados?
Saberiam eles escolher a melhor época para nascer?

Pois é, chega de bancar a inocente e vamos aos finalmentes.
Essa coisa de “Carpe Diem” foi uma das piores coisas que já se
inventou. Um mero pretexto para justificar as burradas que se fazem
em nome do prazer. “Inconseqüência” seria a palavra que melhor
define a consciência contemporânea.

Nessa era tão libertina todas as estruturas foram abaladas.
Não existe um preparo psicológico para lidar com os possíveis
resultados e conseqüências dos próprios atos. Os valores
do passado foram removidos.

A raça humana possui dentro de si uma pulsão natural que serve para
assegurar a perpetuação de nossa espécie, incitando portanto à
pratica do tão amado e idolatrado “secsu”. Mas isso não justifica a
consumação do ato, pois NÃO SOMOS ANIMAIS IRRACIONAIS.

E as pessoas brincam com fogo, tratam o sexo como um
divertimento. Um serve de “playground” para o outro e essa
brincadeira tão cândida pode gerar resultados catastróficos.

Sugiro aos homens mais respeito. As mulheres não são objetos.
Parem de abordar os seus próprios desejos! Parem de agir
como animais irracionais.

Vejo que as mulheres não sabem mais se valorizar, dentro de poucos
meses ou mesmo num ápice momentâneo abrem os portais da
felicidade à troco de banana. E o resultado é esse... Abortos, mães
solteiras e famílias desestruturadas.

Hoje é só alegria e amanhã quem sabe, o chorinho de um bebê.
Acompanhado de muito sofrimento, arrependimentos e desilusões.