Wednesday, December 21, 2011

O inverno chegou! Como sobreviver?

*Samuuuuiii nééééé* – É o que todos dizem por aqui (antes mesmo do bom dia!rs).

Se eu pudesse escolher as estações do ano no Japão, elas seriam sempre intercaladas de primaveras e outonos, minhas estações preferidas por aqui: amenas, suaves e belas. Mas não tem jeito... Quando o verão e o inverno japonês dão as caras, nem o mais estóico consegue ignorá-los. São realidades duras, mas que devem ser encaradas da melhor forma possível, afinal, sempre tem o lado bom. Aliás, mal Novembro havia terminado e eu já estava assustada com o frio, agora então, já estou me preparando psicologicamente para Janeiro, que dizem, é o mais intenso!!! Foi difícil no começo entender como o frio pode ser tão frio e eu cheguei a conclusão de que eu não sabia nada sobre frio, muito menos como me defender dele... Porém, agora, depois de alguns bons ienes investidos em parafernálias tecnológicas, acredito que eu e meu marido estejamos mais do que bem preparados para coexistir com essa estação. Aqui vão algumas dicas que tornarão seu inverno muito mais agradável ou suportável:

Roupas térmicas
Elas são sagradas no inverno, uma espécie de segunda pele mesmo. Aqui no Japão ninguém é doido de sair de casa sem elas. Pra quem não sabe, trata-se de um tecido impermeável, felpudo por dentro, mas com uma textura muito sedosa, macia e maleável por fora. Geralmente as roupas térmicas se dividem apenas em 2 peças: uma espécie de meia calça e uma camiseta de manga comprida. A primeira vista, devido à delicadeza do material, você nem imagina quão eficazes são. Mas eu aprendi a nunca mais subestimar os produtos japoneses pois graças às essas roupas térmicas, eu já não preciso sair tão encapotada de casa. A faixa de preço é mais ou menos de R$40 por peça. Mas aqui perto de casa tem uma loja incrivelmente MUITO barata na qual eu pude pagar o equivalente a R$10 por peça.




Protetores labiais
Bom aqui não vende banha de cacau, mas existem uns 8437259 tipos diferentes de protetores labiais. Eu gosto dos que tem cheirinho e que deixam a boca rosinha. Mas, seja lá qual for a sua preferência, é imprescindível que você sempre ande com um pois uma coisa é certa: a sua boca vai descascar! Eu sempre carrego um no bolso e reaplico a cada 30 minutos. Se demorar mais, a boca começa a arder e rachar. É um saco andar com a boca melada, parecendo que comeu frango, mas não tem jeito. Pior do que andar com a boca melada é andar com a boca rachada.

Kotatsu
Para os ocidentais o kotatsu é uma coisa bizarra, mas aqui no Japão ele é venerado e maciçamente utilizado em todos os lares. Trata-se de uma espécie de mesa com um tampo removível. No centro da mesa tem um aquecedor elétrico e a gente coloca um cobertor especial entre a mesa e o tampo. Meio complicado de explicar, mais muito fácil de usar. Basta ligar a mesa na tomada e logo você percebe que toda a região coberta está quentinha. Sem dúvida, ele é o salvador da humanidade! Eu não sei o que seria de mim sem meu kotatsu lindo, principalmente quando eu ainda não sabia o que era frio. Aqui no Japão, as pessoas costumam utilizá-lo para aquecer as pernas durante a refeição ou enquanto estudam. Mas além de utilizá-los dessa forma, eu também adoro dormir debaixo do meu kotatsu. hehehe...


Aquecedores à querosene
Também não vamos “endeusar” o kotatsu, né... ele cumpre muito bem sua função, mas não é suficiente para aplacar o frio. Aliás, nem meu aquecedor estava dando conta, então compramos um aquecedor à querosene, que apesar de ser muito mais barato e menor do que o outro aquecedor, se mostrou muito mais potente e eficaz. É importante ter muito cuidado ao escolher um desses pois dependendo da marca e do modelo sua casa vai ficar fedidona toda vez que você resolver usá-lo. Então nem precisa dizer que não é legal comprar um desses numa loja de usados (coisa muito comum por aqui). É melhor pagar mais caro e ter um negócio decente, né? Bom, é o que eu acho pelo menos. Um aquecedor à querosene sai por volta de R$250. Um investimento que vale muito à pena!!! O melhor site pra comprar um é o Rakuten.



Adesivos térmicos
Ficar com os aquecedores ligados o dia todo não dá né? (A não ser que você não se importe com a conta de luz vindo nas alturas). Então uma boa saída é, além de usar as roupas térmicas, colar pelo menos um adesivo térmico no corpo. O nome dele é HOKKAIRO e promete ( e cumpre) te manter aquecido por 8 horas. Eu, particularmente, gosto de usá-los nas costas! Acho que espalha bem o calor e te mantém bem aquecido o dia todo. Também é ótimo para meninas que sofrem de cólica. Basta colar um na região do útero que em alguns minutos a dor vai embora! Nem precisa de Atroveran =D




Concluindo
Não preciso nem dizer que existe uma diversidade infinita de bugigangas que prometem aplacar o frio tais como esmaltes, cremes, pomadas, luvas que aquecem as mãos via cabo USB, cobertores elétricos (os quais fazem muitos velhinhos aqui morrerem por desidratação durante o sono O.o”), etc. Mas esse post foi mais para falar do que é realmente INDISPENSÁVEL durante o frio. É isso, espero ter ajudado com minhas humildes dicas e que elas lhe sejam de alguma serventia assim como foram para mim. Quem quiser continuar lendo sobre o assunto, pode clicar aqui.
Beijinhos vindos diretamente debaixo do meu kotatsu .^_^.

Thursday, December 15, 2011

Pra dançar bem juntinho

Esconde-esconde

“As gente brincava de esconde-esconde porque sabia, no íntimo, que alguém acabaria vindo nos procurar. A infância passou, mas a emoção de se esconder continua sendo acompanhada pelo alívio de ser achado.” (Esther Perel).

Tuesday, December 13, 2011

Some breath


"Estou farto de mim como sou.
Já faz tempo que não sinto os detalhes nas manhãs.
Este coma já fez sofrer demais a mim e a outros." (живаго).

Monday, December 12, 2011

Você sabe o que é um Onsen?


O que é um Onsen?
Onsen é o termo japonês para definir águas termais. Aqui no Japão existe uma infinidade de “casas de banho” com águas termais (beeeem quentinhas, por volta de 40◦C) nas quais as pessoas se banham totalmente nuas. No Japão os Onsens costumam ser separados pelo sexo, mas existem os mistos também. A primeira vez que me convidaram pra ir em um, eu não aceitei. Receosa eu pensava: “Como é que esse povo tem coragem de ficar pelado no meio de um monte de gente que eles nunca viram na vida?” Mas acredite ou não, aqui no Japão isso é SUPER normal.

Receosa, porém curiosa
Apesar de todo meu receio, eu continuava curiosa sobre o assunto. Afinal, vir pro Japão e não ir num Onsen é quase como ir à Paris e não visitar a Torre Eiffel. Era verdade que eu e meu marido queríamos muito ir em um Onsen, mas o detalhe é que não queríamos ficar sem roupa de banho... uma bela contradição. hunf. Sensibilizado com meu beicinho, meu marido prometeu que encontraria um Onsen no qual pudéssemos inaugurar a sunguinha dele e o meu biquíni. Pra alguns, tarefa árdua, para outros, impossível. Mas acreditem ou não: ele ACHOU.

Hakone
O tal lugar ficava em Hakone, mas antes de irmos pra lá aproveitamos para dar uma passada no castelo de Odawara, andar de teleférico, depois de navio e comer um ovo fedorento muito famoso naquelas regiões vulcânicas. Pra quem não sabe, Hakone é o lugar mais famoso do Japão quando se trata de Onsens.

De biquíni num Onsen?
Siiiim. Esse Onsen que encontramos, permitia a entrada com roupas de banho! Era uma mistura de Spa+Parque Aquático+Onsen!!! O nome dele é YUNESSUN. Confesso que fiquei maravilhada com a beleza e a infra-estrutura do lugar. O que eu mais gostei no Yunessun é que ele é um parque todo temático. Além de todas as piscinas serem absurdamente quentes, elas são todas coloridas e aromatizadas! As que eu mais gostei foram as de vinho (piscina vermelha) e o-chá (piscina verde). Mas também tinha piscina de café (com cheirinho e cor de café), iogurte, saquê (essa era fedorenta, tinha cheiro de cachaça), chocolate, etc. Sem dúvida, esse foi um dos melhores passeios que eu fiz na vida.

Mori no Yu
No final do passeio eu e meu marido tomamos coragem para visitar a parte tradicional do Onsen, ou seja, a parte onde todo mundo se banhava nú. Era inclusive em outro andar daquele complexo, chamado de Mori no Yu. Combinamos um ponto de encontro e lá foi cada um pro seu lado (eu no Onsen feminino e ele no masculino). No começo fui andando bem devagar, um pouco ofegante e cheia de cautela. A atmosfera do Mori no Yu era escura e cheia de vapor. Tudo bem que às vezes eu me assustava com alguns “black powers” vindo em minha direção (fala sério, essas japas não se depilam não, é?!?!), mas tirando isso, tudo transcorreu na mais pura e perfeita ordem. O mais legal é que você só pode se banhar na águas sagradas de um Onsen depois de se lavar bem lavadinha do lado de fora. Para isso, eles disponibilizam uma área muito fofa com shampoos, condicionadores e sabonetes onde você pode se esbaldar e ver milhares de mulheres sentadas num banquinho enquanto se lavam pra entrar nos Onsens.

Perdi a vergonha

Hoje em dia, ir em em Onsens passou a ser um dos meus programas favoritos! Tem Onsen em tudo quanto é lugar aqui no Japão, que nem boteco no Brasil. O mais incrível é que até hoje eu não vi nenhum que não fosse lindo, até mesmo os mais baratos! É impressionante como a gente se sente bem nessas casas de banho, ninguém fica te olhando e você fica super à vontade. Aliás, nesse sentido, os japoneses são especialistas em não constranger o próximo. Existe um clima de respeito absoluto, quase um código de conduta - que ninguém precisa nos ensinar para compreendermos - pois o foco é o relaxamento.

Botão desliga
Quando vou em um Onsen, me sinto transportada para uma dimensão onírica. É como se eu me desligasse do planeta terra. Parece que estou num mundo etéreo de águas quentes com pedras, muito vapor e ninfas borradas passando pra lá e pra cá. Borradas porque além do vapor, também existe a minha miopia...rs! A temperatura da água é tão alta que não demora muito pra sua pressão cair, daí você começa a se sentir beeeeem lesado. Não dá nem pra conversar direito, tamanha a moleza que dá!!! E mesmo depois de sair, esse efeito demora um pouco a passar... dizem que é meio perigoso a pressão cair demais, enfim, só sei que quando minha família vier ao Japão, vou obrigá-los a ir num Onsen comigo! É imperdoável alguém vir ao Japão e não se permitir a este tipo de experiência. E quem resiste, não sabe o que está perdendo!!!!

Abaixo algumas fotos de Onsens:

Os macaquinhos fazem a maior festa!!!

Sunday, December 11, 2011

Ah... o Natal...

Não é novidade pra ninguém que no Japão o Natal não é uma data expressiva como é no Brasil, mas nem por isso ele passa batido aqui. Apesar de não ser muito celebrado entre as famílias, ainda subsiste nessa época uma atmosfera toda especial que Buda nenhum consegue ofuscar. Não estou falando de luzes natalinas ou enfeites, pois eles estão em todo lugar, já que trata-se de uma data comercial fortíssima. Estou falando de pessoas cheias do amor e do espírito santo que não se conformam apenas em ir para igreja “esquentar o banco”. Estou falando de pessoas, que mesmo sendo poucas, ainda se importam com a alteridade e sabem que podem semear algo de bom onde quer que estejam, pois a força que as impulsiona, não está nelas, mas no a autor da criação.

Hoje eu senti isso de uma forma poderosa. Estávamos em poucos (comparado aos eventos faraônicos que fazíamos no Brasil), mas foi nesse pouco que Deus operou. Saímos todos pela vizinhança com gorrinhos de “Papai Noel” entoando louvores natalinos. De repente, das janelas e sacadas dos condomínios brotavam pessoas, famílias e crianças - algumas das quais nos acenavam e outras que arriscavam descer em meio à noite congelante para sentir de perto, o calor que emanava de nossos louvores.

Mas inesquecível mesmo foi cantar no asilo aqui pertinho de casa. Sei que muitos daqueles velhinhos estão simplesmente jogados e abandonados por suas famílias naquele lugar. Não quero de forma alguma culpar a família displicente, pois já sabemos que nesse mundo escravizado pelo amor ao dinheiro, ninguém tem muito tempo para velhos e crianças. O filme “Hanami, cerejeiras em Flor”, por exemplo, ilustra muito bem essa questão. Enfim... foi olhando nos olhos de cada velhinho, que eu pode perceber quão profunda era a fome e a sede espiritual que tinham. Alguns até estendiam as mãos como quem pede para ser tocado, na ânsia de receber algum toque, alguma migalha de afeto, algum carinho. Tive que engolir a seco uma dessas cenas e continuar cantando, apesar dos olhos marejados.

Sei que não tenho poder para mudar certas realidades sozinha, mas meu consolo é saber que eu fiz o que estava ao meu alcance da melhor maneira possível, e o fiz com todo o meu coração. Durante aqueles poucos, mas intensos minutos que passamos lá cantando, sei que aquelas almas, de alguma forma puderam experimentar o amor que só existe em Jesus, bem como seu perfume e a suavidade de seu toque. Cabe a mim e a cada uma dessas pequenas andorinhas, continuar voando na floresta da desesperança chamada mundo, espalhando a mensagem de novidade de vida. Quem sabe assim um dia elas reconheçam que o melhor presente de Natal que alguém pode receber é Jesus reinando em seus corações!

Abaixo os vídeos da gente cantando hoje no asilo:




P.s: Eu apareço ao lado do senhor de blusa verde e atrás do meu amigo cotoquinho, o Kenji.

Thursday, December 08, 2011

O futuro da humanidade

Todo pai deveria assistir esse vídeo:



Caso contrário, o futuro da humanidade será esse:


Medo!!!!

Friday, December 02, 2011

All Izz Well


Tem dias que bate uma vontade danada de ver um filminho enrolada nos cobertores. Mas não pode ser qualquer filme. Tem que ser aquele filme que te embale mais do que um sono bom, que leve pra bem longe! E não basta ser bom, tem que ser envolvente, cativante, poético, surpreendente e, no mínimo, me fazer refletir por longas horas. Talvez seja pedir demais nos dias de hoje, chega mesmo a ser um garimpo. Eu também não ajudo né. Sei lá, de repente eu parei de procurar filmes com aquela pegada “Cult” ou “alternativa”, também saturei daquelas histórias densas e cheias de drama que eu tanto venerava na adolescência.

Não que eu os despreze, não é isso, talvez eu só esteja numa fase diferente. Continuo querendo filmes que tenham conteúdo e que me tragam algum aprendizado edificante, mas agora prefiro uma abordagem mais leve e descontraída, que mostre a beleza da vida de uma forma menos sisuda e melancólica. Aceito sugestões!

E como prova de que é possível encontrar filmes que se encaixem aos meus atuais requisitos “básicos”, cito aqui a minha última grande escolha: “Os 3 idiotas”. Trata-se de um filme bollywoodiano, que na minha opinião, é uma releitura do filme “Sociedade dos poetas mortos”, só que BEM MELHOR e sem deixar aquele gosto amargo de fel na boca quando termina. Sem dúvida, um programão. Vale a pena conferir!



Sinopse: Dez anos depois de concluir os estudos de engenharia, dois amigos são informados do paradeiro de um ex-colega que jamais haviam visto desde o término da faculdade. Depois de receber a notícia, eles mergulham numa aventurosa saga para encontrá-lo, relembrando os grandes momentos dessa amizade. 3 idiotas bateu todos os recordes de bilheteria da história do cinema indiano, não de só de arrecadação, dentro e fora do país, como também de salas ocupadas. Uma das explicações para este sucesso está no fato de a Índia possuir um dos maiores percentuais de estudantes de engenharia do mundo.


Suuuuuper recomendo!