Saturday, March 29, 2008

Não se engane

A pior coisa que existe é você mentir para si mesmo. Você consegue enganar o mundo inteiro, mas nunca consegue se esconder de si próprio. E é engraçado como a gente tenta se enganar, usando artifícios sempre, e em tudo.

E você mastiga um chiclete ou come um salgadinho, pro seu estômago parar de roncar - mas ele continua agonizando, ou então toma um refri pra fissura passar - mas a sede continua lá, tímida. E nos momentos de dor, busca algo exterior que traga alívio imediato - encontra os amigos no bar ou na balada, viaja e se diverte, beija outras bocas e se perde em amores vãos – assim, a dor aguda parece sumir - mas a alma continua em desespero.

Nada disso é suficiente.

A curto prazo funciona, mas depois você passa a ver o quanto tudo aquilo é artificial na sua vida e que aquele real vazio não foi preenchido pois fome se mata com comida, sede se mata mesmo é com água e o alívio profundo para a dor surge apenas quando nos rendemos nos braços de Deus.

Perdão

Por causa do teu amor, ó Deus, tem misericórdia de mim. Por causa da tua grande compaixão, apaga os meus pecados. Purifica-me de todas as minhas maldades e lava-me do meu pecado. Pois conheço bem os meus erros e o meu pecado está sempre diante de mim.

Contra ti pequei – somente contra ti – e fiz o que detestas. Tu tens razão quando me julgas e está certo quando me condenas. De fato tenho sido mau. O que tu queres é um coração sincero: enche o meu coração com a tua sabedoria. Tira de mim o meu pecado e ficarei limpo; lava-me e ficarei mais branco do que a neve.

Faze-me ouvir outra vez os sons de alegria e de felicidade; e, ainda que tenhas me esmagado e quebrado, eu serei feliz de novo.

Não olhes para os meus pecados e apaga todas as minhas maldades. Ó Deus, cria em mim um coração puro e dá-me uma vontade nova e firme! Não me expulses de tua presença, nem tires de mim o teu santo Espírito. Dá-me novamente a alegria da tua salvação e conserva em mim o desejo de ser obediente.

Tu não queres que eu ofereça sacrifícios; tu não gosta que animais sejam queimados como oferta a ti.

Ó Deus, o meu sacrifício é um espírito humilde; tu não rejeitarás um coração arrependido.

(Sl. 51)

Thursday, March 27, 2008

Olhar com Tolerância

Devemos olhar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos todos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento.

(Arthur Schopenhauer.)

Wednesday, March 26, 2008

Pense Bem

Antes de ferir um coração, veja se você não está dentro dele.

Monday, March 24, 2008

Agora Eu Sei

Agora eu sei que o contrário do amor não é o ódio, mas sim a indiferença. E ela nos faz
egoístas pois quem a vive só sente amor quando está amando. Quando a indiferença mina
os relacionamentos, cada um passa a maior parte do tempo em seu próprio mundo e assim a
distância é reforçada e o amor, marginalizado.

Sunday, March 23, 2008

Quantas Vezes Eu Assassinei o Amor?

O amor nunca morre de morte natural. Añais Nin estava certa. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença.

Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento.

O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.

Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.

Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria. Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.

Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas. Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade. O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.

O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

(Fabrício Carpinejar.)

Saturday, March 22, 2008

A Esfinge Que Se Apaixonou

Às vezes as palavras se desgastam e perdem sua função. Sobram apenas aquelas que já não fazem mais sentido, que não tocam mais o coração e perderam seu valor. Palavras que antes escondiam o desconhecido e dançavam em volta do mistério. Mas a esfinge se deixou seduzir e entregou de bandeja o seu coração a quem tinha como meta apenas o desejo vazio de saciar a própria curiosidade.

Enquanto ela resistia, ele estava sempre ali derramado aos seus pés, em devoção. Implorando a revelação ele se rastejava, perdia o juízo, se mutilava e arrancava os cabelos. E ele insistiu tanto, insistiu até o fim. Até conseguir o que queria. Mal sabia ela que para ele era uma questão de honra descobrir. E o que ele faria depois de desvendar o segredo? Ah, nisso ele não havia pensado, talvez o de sempre.

E a esfinge que nunca se enganava e no início o olhava com desconfiança. Se comoveu e chegou a ignorar suas abordagens ensaiadas, frases feitas e gestos previsíveis. Estava fascinada e comovida com alguém tão insistente e decidido. Durante muito tempo pensou e chegou à conclusão de que ele merecia receber dela o que ela tinha de mais precioso.

E o final foi triste. Desolada e arrasada, ela o viu fugir com seu coração em mãos, rodopiando pela rua, exibindo-o como um troféu e dando gargalhadas. Sabe-se lá o que fez com ele! Talvez tenha feito de bola ou talvez colecione corações. Assim como coleciona troféus, medalhas,calcinhas e fotografias. E pensar que ela se conhecia e achava que tinha juízo. Mas seu erro foi acreditar que uma esfinge jamais se apaixona e que não seria diferente com ele - pobre mortal - roubou dela o que ela tinha de mais valioso e agora ela é olhada por todos com escárnio e por ele com desprezo.

Agora a esfinge se condena, se lastima e se arrepende. Como pôde ter sido tão burra? Seduzível, corruptível e volúvel? E ela ainda sente saudade daqueles olhos doces e enigmáticos que a enganaram... Que pena acabar assim. De que serviram aqueles momentos mágicos cheios de risadas e poesia? Que significado poderia ter se tudo foi em vão?

Ele não possui esta marca. Na verdade deve estar brincando de seduzir outras esfinges. Fazendo com que elas se sintam únicas, amadas e especiais. Ofertando guloseimas, carinhos e poemas até elas se renderem. E elas se rendem... Acham que ele é diferente dos outros e se iludem pensando que tanta insistência é sinônimo de segurança, de algo mais profundo - desconhecendo a real intenção - colecionar calcinhas e corações.

Que dor a invade! Que pesar sem fim... Desolada, abandonada e esquecida ela está. E em luto, dedica a ele o seu mais profundo silêncio.

Friday, March 21, 2008

Perspectiva Cósmica

A vida e todas as coisas são tão certas e garantidas quanto a paisagem correndo na janela do trem. E os momentos intensos não passam de cenas que logo passam e saem das nossas vidas, se dissolvendo na inexistência do passado.

Só nós podemos perturbar a nossa própria serenidade. Ninguém pode ser perturbado por outra pessoa.

Não existe ontem, nem amanhã. Só podemos viver no presente. As lembranças do passado, as preocupações com o futuro só causam inquietação. O caminho para a serenidade está em observar o presente e deixar que ele flutue pelo rio da nossa consciência – sem olhar para trás.

A vida é uma situação temporária que tem uma solução permanente. As escolhas são excludentes. Para todo sim existe um não. Aquele que quer ser tudo não pode ser nada. Por isso para ficar em paz consigo mesmo, é preciso antes de tudo, cortar as ligações e os apegos com o mundo terreno. Quanto mais apegos se tem, mais pesada fica a vida e mais sofre a pessoa quando perde isso.

Nada mais consegue me assustar ou emocionar. Eu já cortei todos os milhares de fios que me ligavam ao mundo e me puxavam para a frente e para trás, num sofrimento constante. Agora consigo sorrir e olhar calmamente para trás, para a ilusão do mundo, indiferente.

A vista do alto de uma montanha ajuda muito a ampliar os conceitos. Tudo o que é pequeno some, só fica o que é grande . O mesmo acontece quando passamos a ver o mundo sob a perspectiva da eternidade. Assim é possível compreender melhor a condição humana não sendo parte dela, mas estando à parte dela.

Estar à parte da condição humana é como adentrar um uma estrada isolada numa grande montanha e quanto mais eu subo, mais isolada fico. Quem a percorre não a deve temer, mas deixar tudo para trás e abrir caminho, confiante, na neve do inverno. Assim, logo será possível ver o mundo lá embaixo, enquanto suas praias e pântanos somem de vista, enquanto seus pontos desiguais se aplainam e seus sons estridentes não alcançam mais os ouvidos.

Então sua redondeza surge para o caminhante, que recebe sempre o ar frio e puro da montanha e desfruta do sol quando tudo lá embaixo está mergulhado na escuridão da noite.

Misantropia

Mesmo sem motivo, sinto sempre uma ansiedade que me faz ver e procurar perigo onde não existe. Isso aumenta infinitamente qualquer aflição e faz com que a minha ligação com os outros seja muito difícil e turbulenta.

Não há rosa sem espinhos, mas há muitos espinhos sem rosa.

Fato. Todas as vezes que eu tentei, eu me decepcionei. Por isso quando se trata de bípedes, procuro não agir como os animais de sangue quente que não conseguem conter a raiva em suas expressões e atos, mas sim como os animais de sangue frio. Os animais de sangue frio são os mais venenosos. E para lidar com bípedes é preciso antes de tudo ser frio e calculista, pelo menos por dentro.

É uma equação comprovada: quanto menos me relaciono com as pessoas, mais feliz fico. Quando tentei interagir e fazer parte do mundo, estava sempre inquieta. Meu único caminho para a paz foi ficar fora do mundo, não querer nada dele, não esperar nada. Mas fazer conquistas contemplativas e superiores.

Somos todos condenados a sofrimentos dos quais não podemos escapar. Nenhum de nós escolheria viver, se soubesse o que tinha pela frente. Nesse sentido, somos companheiros de sofrimentos e precisamos da tolerância e amor dos nossos companheiros na vida.

Quem tem muito calor interno prefere se manter afastado da sociedade para não dar nem receber problemas ou aborrecimentos. Mas como somos praticamente obrigados a coexistir com o mundo (afinal ninguém é uma ilha) e bem ou mal, precisamos uns dos outros... Nada como um pouco de amizade e afeto para manipular as pessoas da mesma forma que é preciso aquecer a cera para usá-la.

Metade da minha sabedoria consiste em não gostar nem odiar. Ficar calada e não acreditar é a outra metade.

Monday, March 10, 2008

Desespero

No fim da vida, a maioria dos homens percebe, surpresa, que viveu provisoriamente e
que as coisas que largou como sem graça ou sem interesse eram, justamente, a vida.
E assim, traído pela esperança, o homem dança nos braços da morte.

Sunday, March 09, 2008

Só Por Um Instante

A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única
realidade, tudo o mais é imaginação. Mas poderíamos também considerar isso
nossa maior maluquice, pois aquilo que existe só por um instante e some como um sonho
não merece um esforço sério.

Você é Escravo dos Seus Desejos?

Se a virtude se fizer de guia, estarás seguro. Que ela nos acompanhe o prazer e que esteja ao redor do corpo como sombra.

O prazer anula a virtude, mas a virtude não anula o prazer. Quem se prende ao prazer não o possui, mas é possuído por ele, ou são atormentados pela sua falta, ou são atormentados pela sua abundância.

Infelizes são se por ele abandonados, mais infelizes se são por ele esmagados. Quem segue as pegadas do prazer coloca todo o resto em segundo plano e não cuida de sua liberdade.

Gasta-a com o ventre e não compra para si os prazeres, mas vende a si mesmo aos prazeres.

(Sêneca.)

Discreto, mas Certo.

Nós mulheres adoramos um homem alegre. Mas, acho que ninguém suporta um homem que ri o tempo todo e que acha que a vida é sempre uma canção. É sempre mais interessante quando existe uma certa melancolia no fundo de seus olhos, um certo mistério intrigante.

...De repente, ele fica com o olhar perdido, em outro universo – em seu próprio universo – distante de tudo, incluindo você.

* ...Por onde andarão os seus pensamentos?? *

Homens como esse viveram e provaram o mel e o fel da vida, e isto faz deles pessoas diferentes. Ele pode até deixar claro que consegue sobreviver a tudo, até a sua ausência. E ele não dará vexame, caso isso aconteça.

Homens assim precisam de um mundo próprio, ao qual ninguém tenha acesso – nem você. Às vezes tudo o que ele precisa é estar, por um momento, “na dele” e não “na sua”.

Um homem “na dele”, é aquele homem que conseguiu encontrar o seu equilíbrio mais profundo, pois já sofreu... E, somente aqueles que realmente já sofreram, sabem que, no final, sempre conseguirão sobreviver.

Ele pode embarcar no mais belo veleiro, com as mais lindas mulheres, mas no profundo de seus olhos sempre existirá aquele certo desencanto, típico daqueles que já não possuem ilusões.

...dificilmente você conseguirá chegar ao fundo do coração de um homem assim. Mas, se um dia isso acontecer, então é melhor se preparar para viver um grande amor. E não será como aqueles amores repletos de glamour, plumas e paetês... Será aquele amor que pensa menos em sedução e mais em sentimentos. A prioridade não será comprar vestidos novos, maquiagens e sandálias plataforma...

Provavelmente, os momentos serão mais contidos e com aquela gostosa percepção tranqüila da essência do outro. Será um amor com aroma discreto, mas certo. Suave, mas definido. Será aquele amor raro capaz de se manter mais forte, mesmo depois de todas as ameaças.

(Kaya Barros.)