Sunday, March 25, 2007

Chocolate

E eu que antes sucumbia aos teus encantos, hoje tenho plena consciência do mal que você pode me fazer. Você é incomparável, seu sabor é intenso, mas você é artificial.

Você está em todo lugar me perseguindo, vive implorando pra gente discutir a relação, diz que as coisas não poderiam acabar assim. E eu sempre apressada te ignoro, mas faço questão de te mostrar a língua.

Tá, admito que tenho uma quedinha por você, mas já sei me controlar e não me deixo mais levar pela sua sedutora abordagem.

Não é que eu te tirei assim da minha vida, eu não gosto de ser radical. Mas se eu fugir de você, é bem provável que este jogo nunca acabe. Às vezes penso em você, em como você me fazia feliz. Mas então eu me lembro dos transtornos que você me causou, nos quilos que engordei por sua causa e nas espinhas que você me provocou. Então desisto, não vale à pena.

E para compensar esse vazio no meu estômago, você foi substituído. O sabor que escolhi para a minha vida não é intenso e forte como o seu, na verdade é bem leve... No começo foi difícil me acostumar, mas eu sabia que era para o meu bem, para a minha saúde... Infelizmente, se eu não te dominasse, você me dominaria.

E quantas vezes eu te perguntei sobre as suas propriedades e as coisas boas que você fazia, mas você sempre mudava de assunto! No começo eu deixava passar, mas isso me desgastava demais. E eu cansei dessa superficialidade toda.

Sinto lhe informar, mas eu venci. Definitivamente - você não me merece.

Tuesday, March 13, 2007

Sociedade Pós-Orgânica

Sempre adorei Filosofia e sempre me encantei por Psicologia. Gosto de refletir analisar cada passo que estamos dando e principalmente prestar atenção na direção que estamos seguindo.

Os formadores de opinião, criadores de desejos e ilusões estão criando monstros alienados que só pensam em seus próprios umbigos. Querem que as pessoas consumam inconscientemente seus produtos até que isto se torne um hábito. Fazem com que cada lar se torne a extensão de cada loja. E assim, quando alguém repentinamente sente um desejo, sabe que é só estender a mão.

Mas esta promessa de satisfação imediata contida na mídia, infelizmente já se inoculou nas relações humanas. As pessoas estão se tratando como objetos. Elas não querem saber o que você pensa ou sente. O que interessa é apenas a sua utilidade, o prazer que você pode oferecer, o lucro que você vai dar. Vemos isso na vida profissional, nos relacionamentos e principalmente no cotidiano.

Freud dizia: “Somos feitos de carne mas vivemos como se fôssemos de ferro”. Por isso eu digo que vivemos numa sociedade "Pós-Orgânica".

As pessoas estão intolerantes umas com as outras.
Um errinho e você será descartado como um absorvente feminino. Os fatos comprovam! O número de namoros relâmpagos, demissões, processos jurídicos e divórcios crescem exponencialmente.

Por que estamos assim? Tão esgotados, intolerantes e imediatistas? Será que nunca vamos entender que a vida anda de mãos dadas com a dor e é cheia de altos e baixos?

Não sabemos mais ouvir, compreender, aguardar, ajudar e perdoar os outros. Não queremos saber de renúncia.

Não podemos exigir perfeição de ninguém, muito menos colocar nossos desejos como centro de nossas decisões. Devemos reconhecer que as pessoas evoluem, mudam, amadurecem. É um processo.

Por isso devemos ser constantes e firmes em todos os nossos relacionamentos.

Alma de Anjo

Corpo doente, limitado e terreno.
Alma cansada, abatida e divina.

Tato, visão, audição, olfato, paladar.
Degustar, cheirar, escutar, ver, sentir...

Alma revestida de nervos sensíveis
ao mundo externo. Linhagem divina,
que traja vestes mortais!


Eterna procura de um ser sedento.
Alma de anjo aprisionada.
Eleva a nossa espécie aos céus.
Vaga, divaga, voa, viaja.

Doce anjo aprisionado em mim.

Friday, March 09, 2007

Abra a Porta

A ciência, a Filosofia e Psicologia sempre tentaram contestar existência de Deus. Aos olhos de Deus a sabedoria do homem é loucura. É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Ele deve dar risada dessa gente que quer desvendar o espaço sideral e que investe tantos bilhões em tecnologia mas que até hoje não foi capaz de acabar com a fome, com a desigualdade e que não soube amar ao próximo dando a ele o mínimo de dignidade e respeito.

Sinceramente, podem provar o que quiserem contra a existência de Deus que mesmo assim eu vou continuar a acreditar nEle. Eu não o vejo, mas eu o sinto! E Ele é vital para mim como ar e como a água. Os homens não entendem que o essencial é invisível aos olhos.

Você pode estudar um cérebro, mas nunca irá conhecer os pensamentos que ele teve, você pode estudar um corpo, mas nunca poderá tocar naquela alma. Você pode desvendar o espaço, mas nunca encontrará Deus!

E se você não acredita em Deus por achar que o mundo está violento, injusto e corrompido, está na hora de rever seus conceitos. Ele nos deu livre-arbítrio. E agora mesmo você pode raspar a sua cabeça ou se jogar de um precipício, você é responsável por suas atitudes e seus possíveis efeitos colaterais. Antes de culpar Deus pelo caos do mundo, pense no caos de sua vida.

Pense nos dias em que você ofendeu alguém, xingou seus pais ou brigou com o seu irmão. Pense nas pessoas que você usou, machucou, iludiu, pense nas lágrimas que você fez derramar dos olhos de alguém, na dor que você causou, no ódio ou inveja que você sentiu e em quantas vezes já se vingou.

Lembre-se das conseqüências catastróficas que você gerou. E comece a perceber que o mundo melhora se você melhorar, mas que é mais fácil colocar a culpa em Deus e deixar tudo como está.
Se você não fizer a sua parte, Ele também não fará a dEle.

Quando nosso coração está conectado em Deus, não precisamos nos preocupar na maneira como ele irá se comunicar conosco pois Ele se manifesta no oculto de nossas almas. E assim somos capazes de ver uma flor brotar em meio ao concreto, somos capazes então de valorizar as virtudes e controlar os impulsos. Preferimos ter paz do que ter razão para poder ter o prazer de ver reinar um fio de paz num mundo tão duro e cruel. Nosso deleite é perdoar, é amar e exercitar tudo isso nos momentos mais adversos.

Agora mais do que nunca sei que a felicidade é a constância de bons sentimentos e que todos nós temos um vazio do tamanho de Deus. Mas se não reconhecermos isso o quanto antes, passaremos a vida inteira a tentar preencher este imenso vazio com ilusões e falsos prazeres. Depositaremos nosso tempo, esperanças e esforços em coisas passageiras e no fim não encontraremos um alívio, não estaremos satisfeitos.

Deus nos formou e nos criou. Mas muitas vezes não o deixamos entrar em nossos corações. Fechamos a porta “na cara” dEle. Agimos como um segurança que não deixa adentrar no edifício o próprio pedreiro que o construiu.

Friday, March 02, 2007

Segunda Pele

Quem nunca foi a uma loja de roupas e atordoado se deparou com uma infinidade delas? Elas estão sempre lá enchendo os nossos olhos. Por todos os lados nos cercam com suas cores, estampas e modelos. Chega a ser irresistível. Enquanto os olhos se deleitam, os passos se tornam inevitáveis e quanto mais nos embrenhamos neste labirinto, mais os tentáculos das roupas se enroscam em nossas mãos. Muitas vezes não conseguimos reagir, sentimo-nos quase que indefesos. Todo cuidado é pouco e alcançar a gloriosa porta de saída exige muita força de vontade.

Em casa o alívio e a angústia de ver as sacolas descansando sobre a cama abandonadas, quase que cuspindo as peças compradas. A sensação é que tudo aquilo não valeu de nada pois na verdade não importa quantas outras camisetas hão de vir, não importa quão lindas elas sejam; Não estaremos realmente completos enquanto não estivermos com àquela que faz parte da nossa história.

No fundo é ela quem te faz feliz de verdade. Ela não é feia, mas também não é bonita. Às vezes desbotada e surrada, mas para você ela é linda porque com ela você é livre e não precisa se preocupar com detalhes inúteis. Ela te deixa à vontade, é companheira e está sempre ali, firme e forte, vivendo a vida intensamente com você. Ela absorveu suas lágrimas mais profundas, ela é a fina fronteira do desejo, é a noite mal dormida ou o dia ensolarado. Pedaço do passado que insistimos em carregar porque tem cheiro de vida.