Wednesday, May 16, 2012

Caçadores de frustração

Talvez o oposto do amor não seja o ódio, a indiferença ou o medo, mas a solidão. Uma pessoa em estado perpétuo de solidão é aquela que não aceita a vida e as pessoas como elas são. O que falta a uma pessoa em estado de solidão não é casa, comida, saúde, roupa lavada, diversão e arte, tampouco companhia, amigos, boa trepada, falta amor, etc.

É de frustração que se alimentam os adictos da solidão. Sozinhos, isolados, incompreendidos, faltosos, incompletos, abandonados, irredutíveis e extremamente desejosos daquilo que nem sempre é possível, eles sofrem pela perda do que nunca sentiram de fato ter: amor. Mas o amor não é uma moeda de cobre que se troque por um beicinho ou punhado qualquer de lágrimas. Ou ele existe ou não existe. Ou acontece ou não acontece. É um rei teimoso que detesta bajulação: reina onde, quando e como quer.

O problema é que, em geral, os solitários crônicos não entendem isso. Querem provas de amor, nota, recibo, carimbo, garantia de que eles são amados e tem grande valia no mundo. E são um poço sem fundo: nosso muito nunca é suficiente para eles porque a falta é a única coisa que reconhecem. Choro para dentro quando percebo que nem todo mundo consegue sentir o vento como um beijo apaixonado de bom dia. Seria tão bom se todos pudessem sentir alegria... pelas coisas mais tolas ou por coisa alguma... só sentir. (Mônica Montone).

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