Todos somos Irmãos
Todos são estrangeiros em sua própria pátria. Ninguém se sente realizado. As experiências existenciais são incompletas. As fontes de água não dessedentam; nenhuma festa é perfeita; nenhuma aventura satisfaz. Viver não basta. Não adianta querer sonhar com a mesma coisa duas noites seguidas. O sexo de ontem não será igual ao de amanhã. A onda do mar nunca retorna como era; o rio morre a cada instante. Todos têm dúvidas. Só os imbecis vivem com certezas.
Os psicopatas não conhecem a culpa. O convívio dos que se amam é complicado. Intolerâncias recrudescem quando se defendem absolutos; invejas se escondem nas convicções; frustrações se sublimam nas militâncias; covardias se chamam de prudência. Todos são frágeis. Violências camuflam fraquezas; hostis são patéticos; os estúpidos, ordinários; os poderosos, pequenos. Os leões não comandam as selvas, as lebres não superam as tartarugas; os tubarões não tiranizam os oceanos. No coração dos imperadores habitam crianças indefesas; mesmo o perverso torturador tem carências; os cáusticos religiosos se enternecem com belezas.
Todos são medrosos. A busca insana por segurança e estabilidade denuncia precariedade; o medo do amanhã gera ansiedades; a contingência existencial pesa como solidão. Perdeu-se o aconchego do útero e não há como fugir da orfandade universal. Ecoa pelas galáxias um grito que implora por um Pai. Ouve-se a pergunta: “cadê o colo da minha mãe divina?” A fase oral da humanidade não acabou e todos buscam aquele seio que lhes nutriu a vida.
Todos são frustrados. A história não se desenrolou como prevista. A miséria esbofeteia os idealistas; nenhuma resposta conseguiu explicar o pranto desesperado de milhões de crianças; as hecatombes são perversas demais para que se acolham os simplistas. O holocausto, a morte parcimoniosa dos pobres, a injustiça capitalista, o sistema político ensimesmados continuam desafiando teodicéias, humanismos, ideologias, e existencialismos. Não se conseguiu solução concreta para os desmandos da história.
As espadas nunca se transformaram em arados. Ninguém enxugou as lágrimas das mães que lamentaram os seus filhos em covas rasas. A Nova Cidade ainda não desceu do Céu. Todos são angustiados. A morte espreita os lares feito uma bruxa de mau agouro. A beleza das cores, o prazer do vinho, a alegria do amor têm data marcada para terminar. A vida é efêmera. Ninguém tolera viver com uma guilhotina prestes a descer. Tudo é imprevisível. Passarão o ar fresco da montanha, o canto da cigarra, o riso espontâneo do palhaço, o grito de gol nos estádios. É preciso aprender a dizer adeus. O tempo, inclemente, cobre a vida de fuligem. O poema mais comovente um dia não será citado; a orquestra diáfana como véu de noiva, se esgarçará. A canção que ressuscita saudade tem o mesmo destino do perfume mais caro, lavado com sabão.
Todos somos irmãos. Ninguém é melhor do que ninguém. Todos sofrem e todos riem; iguais no nascimento e na morte; criados com uma lacuna infinita, que só o próprio Deus pode completar.
(Ricardo Gondim)
Os psicopatas não conhecem a culpa. O convívio dos que se amam é complicado. Intolerâncias recrudescem quando se defendem absolutos; invejas se escondem nas convicções; frustrações se sublimam nas militâncias; covardias se chamam de prudência. Todos são frágeis. Violências camuflam fraquezas; hostis são patéticos; os estúpidos, ordinários; os poderosos, pequenos. Os leões não comandam as selvas, as lebres não superam as tartarugas; os tubarões não tiranizam os oceanos. No coração dos imperadores habitam crianças indefesas; mesmo o perverso torturador tem carências; os cáusticos religiosos se enternecem com belezas.
Todos são medrosos. A busca insana por segurança e estabilidade denuncia precariedade; o medo do amanhã gera ansiedades; a contingência existencial pesa como solidão. Perdeu-se o aconchego do útero e não há como fugir da orfandade universal. Ecoa pelas galáxias um grito que implora por um Pai. Ouve-se a pergunta: “cadê o colo da minha mãe divina?” A fase oral da humanidade não acabou e todos buscam aquele seio que lhes nutriu a vida.
Todos são frustrados. A história não se desenrolou como prevista. A miséria esbofeteia os idealistas; nenhuma resposta conseguiu explicar o pranto desesperado de milhões de crianças; as hecatombes são perversas demais para que se acolham os simplistas. O holocausto, a morte parcimoniosa dos pobres, a injustiça capitalista, o sistema político ensimesmados continuam desafiando teodicéias, humanismos, ideologias, e existencialismos. Não se conseguiu solução concreta para os desmandos da história.
As espadas nunca se transformaram em arados. Ninguém enxugou as lágrimas das mães que lamentaram os seus filhos em covas rasas. A Nova Cidade ainda não desceu do Céu. Todos são angustiados. A morte espreita os lares feito uma bruxa de mau agouro. A beleza das cores, o prazer do vinho, a alegria do amor têm data marcada para terminar. A vida é efêmera. Ninguém tolera viver com uma guilhotina prestes a descer. Tudo é imprevisível. Passarão o ar fresco da montanha, o canto da cigarra, o riso espontâneo do palhaço, o grito de gol nos estádios. É preciso aprender a dizer adeus. O tempo, inclemente, cobre a vida de fuligem. O poema mais comovente um dia não será citado; a orquestra diáfana como véu de noiva, se esgarçará. A canção que ressuscita saudade tem o mesmo destino do perfume mais caro, lavado com sabão.
Todos somos irmãos. Ninguém é melhor do que ninguém. Todos sofrem e todos riem; iguais no nascimento e na morte; criados com uma lacuna infinita, que só o próprio Deus pode completar.
(Ricardo Gondim)

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